26% dos brasileiros abriram negócio na pandemia

Em março e abril deste ano foram fechadas 1,1 milhão de vagas com carteira assinada no País. Falta de oportunidade, grandes empresas sem conseguir fechar a folha de pagamento, esse é o cenário que o Brasil vem caminhando com a pandemia causada pelo novo coronavírus. Mas, apesar da dificuldade muitas pessoas vêm se reinventando e criando possibilidades para o enfrentamento da situação, como é o caso da estudante de engenharia Joyce Souza, idealizadora do Fabiana Doceria @fabianadoceria e da professora Carolina de Moura, criadora do Amazing Donuts (@amazingdonutsjp)

Os efeitos da pandemia vêm impactando todas as esferas sociais, a crise mundial atinge tanto os pequenos empreendedores, quanto as grandes empresas. Segundo relatório anual do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgado neste ano, 26,2% resolveram abrir um negócio para "ganhar a vida porque os empregos são escassos”, apesar do momento de incerteza a estudante Joyce encontrou uma oportunidade de se reinventar e adaptar um produto do ramo alimentício ao momento.

“Apesar do momento delicado, vi uma oportunidade de reinventar o negócio que minha mãe já tinha e que sofreu uma grande redução de encomendas. Desenvolvi um outro tipo de produto com foco em buscar clientes pela internet. Com isso, aprendi a fazer pequenos bolos, chamados vulcão de chocolate, e iniciei as vendas com preço bem mais acessíveis e com foco em vendas pela rede social Instagram”, explicou a estudante.

Além do ramo alimentício em comum, Joyce e Carolina também compartilharam o sentimento da incerteza financeira, que despertou o gatilho de empreender com inovação. "Senti muito o impacto financeiro com a pandemia, pois sou professora e trabalho com aulas particulares. Tinha muitos alunos e por enquanto perdi todos os alunos, a pandemia foi um gatilho para começar a empreender e com essa baixa financeira e tempo livre vi a oportunidade de iniciar”, pontuou Carolina.

Joyce revela que tinha planejado buscar emprego no início de 2020, momento em que seria possível conciliar o curso e o mercado de trabalho, mas com a pandemia os planos mudaram. “O mercado já estava oferecendo poucas vagas e com a crise causada pelo coronavírus isso foi intensificando, precisei encontrar uma saída e a escolhida foi o empreendedorismo”, disse.

O presidente da Frente Parlamentar de Empreendedorismo e Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), deputado estadual Eduardo Carneiro (PRTB), ressalta que a área é uma alternativa para milhares de paraibanos e defende medidas que diminuam o impacto negativo no setor, principalmente nos pequenos empreendedores.

“Todo o setor vem sofrendo grandes impactos dessa crise, mas percebemos que os pequenos empreendedores são os mais afetados. Por meio da Frente Parlamentar de Empreendedorismo elaboramos um plano de ação para a recuperação econômica do Estado que abarca os anseios dos pequenos empreendedores”, justificou o parlamentar.

O deputado ainda destacou que apesar do momento, empreendedores vâm buscando saída e se reinventando para o ‘novo normal’. “É característica do empreendedor a natureza da criatividade e reinvenção, eles encontram nos obstáculos oportunidades de empreender e se sustentar, vemos isso nos paraibanos e paraibanas através dos cursos que a Frente Parlamentar de Empreendedorismo oferece online e gratuitos. Conhecemos histórias de pessoas que mesmo diante da imensa dificuldade, como a crise causada pela pandemia, estão dispostas a aprender, se qualificar e enfrentar essa situação com muita resistência”, pontuou.

Foi observando o comportamento nas redes sociais e em conversas com amigos que surgiu a ideia e foi traçada a estratégia para o negócio de Joyce: “Utilizei a internet como meio de divulgação para os produtos que vendo, usando estrategicamente o Instagram já que é uma rede social de maior alcance e o qual já tinha uma página que não utilizava muito, então foi feito uma remodelação na logomarca e nome utilizado o que também ajudou a atrair novos seguidores que depois se tornaram clientes”, destacou.

A professora Carolina prevê além da continuidade da produção e entrega por delivery pretende criar uma empresa física.  “O recebimento do público tem sido muito bom, temos clientes que pediram uma vez e já repetiram. Alguns já são fieis e toda semana fazem pedido, agora sonhamos bem alto objetivando criar uma empresa física e até mesmo filiais”, pontuou.

Dados – A pesquisa ainda revela que, dos 55 países analisados, o Brasil está entre os dez primeiros onde a falta de emprego é mais levada em conta para abrir um negócio. A taxa de desemprego chegou a 12,6%, o número não foi maior por causa do desalento, quando as pessoas decidem desistir de buscar uma ocupação, aumentou com uma taxa recorde. Entre as vagas ocupadas, 54% das posições formais foram originadas pelas Pequenas e Médias empresas, conforme o Sebrae.