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Paraíba, 25.06.2017

A República perplexa e sem saída

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No perfil oficial do Twitter da série americana ‘House of Cards’, uma frase: “Tá difícil competir”. Não temos como negar o marketing de oportunidade eficiente,  mas também não há como  deixar de enxergar nessa repercussão a dimensão mundial que assumiu a crise institucional no país. Nesta quarta-feira (17) histórica para a República, o país afundou num lamaçal que jamais veio à tona.

Perplexo, o Brasil se pergunta: como sair da crise? O Congresso Nacional está sob xeque-mate; o presidente da República, Michel Temer, sob suspeição do vazamento de uma delação premiada do dono da JBS; e lideranças políticas que ajudaram a derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff arrastadas para o fundo do poço nos desdobramentos mais surpreendentes da Lava Jato.

A quarta-feira também foi difícil para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal estrela do PT. O Ministério Público anexou provas documentais que ele se reuniu quase 30 vezes com dirigentes da Petrobras, todos presos após as delações. Lula tinha dito, em cinco horas de depoimentos ao juiz Sérgio Moro, jurou que oito anos de mandato tinha se encontrado apenas e tão somente duas vezes.

As denúncias de hoje não são menores do que as que empurraram Dilma para o impeachment, Lula para cadafalso do cinismo e Dilma para a guilhotina do impeachment. Elas não apagam os crimes cometidos no governo petista. Apenas escrevem um novo e sujo capítulo desse enredo sórdido.

Nada se compara à bomba que explodiu no colo de Temer e companhia. Suas propostas de reforma sob análise do Congresso Nacional ficam inviabilizadas. Seu governo fica engessado e a classe política não vê luz no final do túnel. A renúncia, a decisão mais radical, seria o ápice da crise institucional. Ninguém sabe para onde o país vai caminhar. Não se encontra uma só liderança que possa conduzir a nação para longe da crise. A perplexidade vai ser o travesseiro das próximas noites mal dormidas da República abalada.

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