Adriano Galdino recebe medalha Epitácio Pessoa

O plenário da Assembleia Legislativa lotou para a emocionante sessão especial em que o presidente da Casa, deputado Adriano Galdino (PSB), recebeu a Medalha Epitácio Pessoa, a maior honraria conferida pela Casa, na tarde desta segunda-feira, 21, dia de seu aniversário. “É o presente de aniversário que divido com a Casa”, comentou o deputado Ricardo Barbosa (PSB), líder do governo estadual na ALPB, autor da propositura. Na mesma oportunidade, a Câmara Municipal de João Pessoa, através do vereador Dinho, entregou a Galdino o título de Cidadão Pessoense.

A sessão foi altamente prestigiada por amigos, familiares, deputados, prefeitos, vereadores e diversas autoridades presentes. Até as galerias tiveram que ser ocupadas pelos convidados, além de serem colocadas cadeiras extras no plenário José Mariz.

Em seu pronunciamento, Barbosa fez um longo relato da vida do homenageado desde quando criança em Pocinhos, sua história de superação, passando pela sua trajetória universitária, seu trabalho no Banco do Brasil, sua iniciação na política, sua atuação como presidente da Assembleia e sua recente condição de avô de Adriano Neto. Por diversos momentos, emocionou o homenageado, especialmente nas passagens referentes aos esforços de seus pais na criação e educação dos filhos.

“Creio que ninguém, em nenhum tempo, conseguiu ser três vezes presidente deste Poder. Isso, claro, lhe distingue. Mas o que lhe diferencia, mesmo, é o seu valor pessoal, sua honradez, sua capacidade de transpor obstáculos e superar adversidades”, destacou, lembrando, ainda, que o homenageado também foi, por três vezes, prefeito de Pocinhos. “Convenhamos, ninguém se elege três vezes prefeito de uma cidade se não for pela dimensão de sua ação administrativa, pela grandiosidade do seu trabalho e, naturalmente, pelo reconhecimento do seu povo”.

Em seguida falou o vereador Dinho, que lembrou a passagem de Adriano como secretário de Estado e de ter assumido interinamente o Governo do Estado por um breve momento. O deputado João Bosco Carneiro falou em nome dos parlamentares da ALPB, considerando “muito justa” a homenagem realizada. “Vossa Excelência dá demonstração de sensatez e equilíbrio, como presidente desta Casa, sendo instrumento de harmonia e pacificação até mesmo entre os Poderes”, assinalou.

Também foi divulgado um vídeo com mensagens do governador João Azevedo, do senador Veneziano Vital, e da creche da Assembleia. Outro vídeo, que também emocionou bastante o presidente, mostrou depoimentos de professoras de uma escola onde Galdino estudou, exaltando a inteligência e a inclinação da liderança do ex-aluno; comentários de amigos de infância e adolescência, ex-patrão, funcionário da AL, políticos e moradores de Pocinhos, além de sua mãe e também sua esposa, Eliane Galdino, que exaltou sua generosidade e solidariedade.

Adriana Galdino, filha caçula do homenageado, fez pronunciamento em nome da família. Ela destacou “o tocante discurso” do deputado Ricardo Barbosa e lembrou parte de sua trajetória de vida, agradecendo seus ensinamentos como pai. “Obrigado por ser esse transformador de vidas e realidades”, sublinhou.

Eliane Galdino agradeceu a homenagem ao marido, fez uma declaração de amor e exaltou a fé do deputado. “Você fez por merecer. Além disso, você é realmente um homem de fé que conseguiu grandes graças em sua vida”.

Por fim, o homenageado ocupou a tribuna para seus agradecimentos. Agradeceu ao discurso do deputado Ricardo Barbosa – “várias vezes fui às lágrimas” e à família – “minha base, força e inspiração”. Em seguida, lembrou de suas dificuldades em Pocinhos e fez um agradecimento especial à sua mãe, Elizabeth, “que ensinou a sonhar e a chegar aonde se quer, com fé em Deus”.

“Nada, para mim, foi fácil. Sempre foi difícil, mas consegui superar as dificuldades e conquistar meus espaços e tornar os meus sonhos realidade. Foi com os ensinamentos de minha mãe que cheguei onde estou. Fui o primeiro prefeito de Pocinhos que não pertencia aos grupos políticos tradicionais. E fui conhecido como o prefeito além das obras de pedra e cal, da mão estendida, que sentia a dor alheia. Nunca neguei nada para a Educação na minha cidade. Até porque sou fruto da Educação. E não nego aos meus munícipes a oportunidade de chegarem à universidade”, lembrou.

“Depois quis ser deputado estadual, contra toda a lógica e expectativas. E fui eleito sem gastar”, disse, contando as dificuldades de sua primeira campanha para a Casa de Epitácio Pessoa.

Também contou sua primeira luta para ser presidente da Assembleia Legislativa, também contra a lógica política de então. “Como presidente da Assembleia Legislativa, tenho procurado ser justo e correto, e procuro unir a Casa em defesa da Paraíba e dos paraibanos”.

 

Presenças

Compuseram a Mesa, além de Galdino e Barbosa, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Márcio Murilo; o deputado Nabor Wanderley, primeiro-secretário da Casa; vereador Dinho, representando a Câmara Municipal de João Pessoa; vereador Léo Bezerra; desembargador Joás de Brito; Seráphico da Nóbrega, procurador-geral de Justiça do Estado; deputado e secretário de Estado João Gonçalves, representando o governador João Azevedo; ex-deputado Nominando Diniz, presidente em exercício do Tribunal de Contas do Estado; Madalena Abrantes, representando a Defensoria Pública do Estado; e o prefeito de Sobrado e presidente da Famup, George Coelho.

 

 

 

O discurso

Na íntegra, o discurso do deputado Ricardo Barbosa:

”Ensaiei incontáveis vezes, nas últimas horas, a forma de dizer-lhes o quanto me é dignificante e honroso esse momento.

Foram muitos os começos escritos e outros tantos apagados, tentando dizer-lhes da justeza e do merecimento dessa homenagem. Resolvi, então, sem delongas e explicações, falar-lhes numa narrativa simples e coloquial - bem ao gosto e estilo do homenageado - um pouco do muito que representa Adriano Galdino para sua família, para sua Pocinhos, para esta Casa e, claro, para toda a Paraíba.

O que quero dizer, meu Presidente Adriano, é que a Comenda de Epitácio Pessoa a lhe ser entregue - maior honraria desta egrégia Casa - poderia representar apenas um gesto de cordialidade ou de corporativismo político.

Não, absoluta e diferentemente, não!

Todos vocês presentes, e os que nos assistem através da TV Assembleia, com efeito, a partir de agora, terão uma compreensão mais aquilatada a respeito da justeza e significação desse instante.

O nosso homenageado nasceu em 21 de outubro de 1960, lá na pequenina Pocinhos, nos arredores de Campina.

Adriano, segundo rebento de Antônio Galdino Filho (Toinho) e Elizabete Pereira de Araújo, tem mais sete irmãos, frutos dessa longeva, digna e bela relação: Rosângela, a primogênita, Luciano, Soraya, Patrícia, Fabiano, Alexandre e Murilo, o caçula dessa extensa prole.

Irei lhes falar, inicialmente, daquele que teve a primeira antevisão do talento, dimensão e alcance das conquistas do nosso homenageado.

O Padre Galvão! Homem culto, respeitado e admirado naquela paróquia local. Muito influente e notabilizado por enxergar além do seu tempo, o Padre Galvão cultuava um costume da época: visitar as residências dos fieis.

Nesse mister, eram frequentes as incursões na propriedade de seu Antônio Galdino, avô paterno do nosso Adriano.

E era exatamente lá na casa do seu avô que, em contumazes lampejos premonitivos, Padre Galvão passava-lhe a mão por sobre a cabeça e sentenciava: “Esse menino vai longe; esse menino nasceu pra brilhar; ainda vai ser gente muito importante; vai ser um grande homem, um doutor respeitado”...

Aquelas repetidas referências futuristas que se anteviam à realidade de hoje não chegavam a convencer Dona Elizabete, tampouco seu Toinho. Eles próprios achavam que aquilo advinha ou era fruto da cortesia cativante daquele líder religioso.

Hoje, podemos constatar quão certo e profético esteve sempre o iluminado Padre Galvão.

Daquela parte a esta data, aquele menino de então, passo a passo, dia a dia, foi construindo e edificando uma história de conquistas, de lutas e de muitas vitórias.

Vitórias, conquistas e lutas que o fazem, hoje, uma das mais expressivas lideranças políticas do nosso Estado.

O destino, contudo, em suas imprevisibilidades, de repente, aplicou um duro golpe na família e seu Antônio Galdino, avô de Adriano, à época um próspero comerciante local, homem rico, de muitas posses, caiu em absoluta decadência financeira, vindo chegar à completa falência.

Isso foi uma catástrofe pra família Galdino, que viu ruir, repentinamente, a sua respeitada estrutura financeira.

Seu Toinho, já casado e com alguns dos filhos já nascidos, foi obrigado a impor cortes nos gastos domésticos e estabelecer uma abrupta mudança nos costumes familiares.

Toda a família teve que adequar-se a essa nova e dura realidade. E foi, exatamente, o pequeno Adriano, ainda na sua primeira infância, o precursor de uma bela e emocionante história de superação.

Adriano teve então que dividir as brincadeiras de criança, como barra-bandeira, amarelinha, bola de gude, caçar lagartixa com baladeira, jogar bola e claro, estudar, com a sua primeira atividade de trabalho: vender bombons nas ruas e feira livre de Pocinhos.

Dona Elizabete cuidou de mandar fazer-lhe um “tabuleiro” que era sortido de confeitos e chocolate “Zorro”, comprados lá em Campina Grande num comércio atacadista - o maior da época - conhecidamente chamado de “Z ALBURQUERQUE”.

Graças ao resultado das vendas empreendidas por Adriano, Dona Elizabete animou-se em colocar o irmão imediatamente mais novo para auxiliá-lo naquela labuta diária. Foi aí que Luciano, o terceiro filho, passou a dividir a venda de confeitos e chocolates com Adriano.

Nesse capítulo, vou lhes confessar uma risível reminiscência: Dona Elizabete contava diariamente, de forma rigorosa - um a um -, todos os bombons do tabuleiro. E, embora os tabuleiros tivessem os mesmos produtos, o de Adriano apresentava sempre, ao final do dia, uma maior rentabilidade.

A explicação para que o melhor desempenho financeiro entre as vendas de Adriano e Luciano, decorre do fato de que ambos amantes do cinema, a mais encantadora diversão da cidade na época, na hora em que se iniciavam as sessões, corriam para assistir aos filmes e colocavam seus tabuleiros por sob as cadeiras. Luzes apagadas, os colegas, valendo-se da maior distração de Luciano, surrupiavam o seu tabuleiro e na hora da contabilidade as contas não batiam, sempre faltava dinheiro no “apurado” de Luciano.

Mas, Dona Elizabete, embora muito rígida na educação e no controle das vendas dos filhos, comprou-lhes dois “miaeiros” e repartia os lucros do que resultavam das vendas entre as despesas domésticas e uma poupança obrigatória, que destinava-se à compra de duas bicicletas, uma pra cada, realizando, assim, aquele que seria o maior sonho de consumo da infância dos filhos!

Entre os estudos, brincadeiras com os amigos, os prazerosos passeios ao sítio do avô, notadamente nos períodos de safras de umbu, jabuticaba e cajú, Adriano ainda encontrava tempo para ampliar sua vocação de ambulante, vendendo, também, maçã, revista Cruzeiro, Manchete, Contigo e gibis nas ruas e na feira de Pocinhos, tarefas em que também se incluía o seu irmão Luciano.

Todo esse esforço familiar, contudo, não fora suficiente para assegurar uma vida digna e a garantia da formação e do futuro dos filhos através dos estudos.

Mas isso lhes conto daqui a pouco!

Dona Elizabete, assim como seu Toinho, tiveram uma infância bem diferente dos seus filhos. Seus pais haviam sido de certa forma privilegiados, ricos! Tanto que ela foi, ainda criança, enviada pelo pai para estudar em Areia, num conceituado colégio interno de freiras, só acessível aos afortunados da época.

Naqueles tempos não era muito comum mulher estudar até se formar. E ela tinha firmado esse compromisso com o seu pai. Missão que não foi cumprida porque interrompeu os estudos para se casar com seu Antônio Galdino Filho, de saudosa memória.

Decorreu desse fato a sua obsessão em dar condição a que todos os filhos estudassem até a formatura. Ela dizia a todos, em especial a Adriano: "Meu filho: a única coisa que assegura dignidade aos filhos de pobres é a educação. Estude e tenha muito conhecimento, porque esse ninguém lhe rouba nunca”.

Eu lhes dizia que a vida não foi fácil para os Galdinos. E mesmo com todo esse esforço, seu Toinho se viu impelido a procurar fora da Paraíba uma melhor condição de vida.

Estimulado por um amigo conterrâneo que fizera vida em Jequié, na Bahia, com um comércio de Borracharia, “abuletou” mulher e filhos na “boléia” de um caminhão e, no início da década de 70, se danaram pra cidade grande...

Era tudo absolutamente novo para o pequeno Adriano. Lá em Jequié foi apresentado ao transporte coletivo, nunca houvera andado antes nas chamadas lotações; conheceu as ruas largas asfaltadas de Jequié, foi, enfim, apresentado a um novo e desconhecido mundo.

O menino Adriano deixava, então, a sua querida Pocinhos, largando pra trás as duras, porém boas lembranças de seus poucos anos de vida, levando consigo apenas a esperança que naquele porvir desconhecido pudesse ajudar seus pais na educação e formação de sua família.

Entre os muitos e novos desafios a serem enfrentados lá em Jequié, o primeiro deles era passar no exame de ADMISSÃO para ingresso num grande e conceituado colégio público da cidade.

O senso de responsabilidade e comprometimento que carrega desde a infância, fidelizando o foco nos objetivos a serem perseguidos, fizeram a diferença na vida de Adriano.

São muitos, intermináveis os exemplos de perseverança na sua exemplar e exitosa caminhada.

Talvez, amigo querido, nem você próprio se recorde dessa passagem, mas D. Elizabete lhe acordava todos os dias às 05hs da manhã, o levava enrolado - do pescoço aos pés - para o quintal e embaixo daquela frondosa mangueira, lembra?, ali ela lhe ensinava até a hora de se deslocar para o colégio, preparando-o para o exame que se avizinhava.

Dona Elizabete dizia que estudar cedinho rendia mais conhecimentos porque naquela hora da manhã a mente estava aberta e a capacidade de assimilação e de aprendizado era maior.

Vocês já devem estar prevendo o resultado disso, né? Pois bem, é isso mesmo que certamente estão pensando: o talentoso Adriano galgou o primeiro lugar no difícil exame de Admissão, fato que o conduziria ao Ginasial.

Espantada, a diretora chamou D. Elizabete para saber as razões daquele menino ser tão preparado e sob que condições ele fora instruído para lograr tão espetacular desempenho.

No curto tempo que passou naquela escola, apenas um ano, o Paraíba, como ficou sendo chamado, tornou-se presidente de classe e o mais destacado aluno.

Mas, amigo Presidente, volver ao passado de tantas sacrifícios, rememorar reminiscências que talvez nem mais habitassem a sua memória, foi o caminho que escolhi para contar um pouco da sua bela e vitoriosa trajetória de vida.

Reunir tão honrosas e importantes personalidades, homens e mulheres que compõem e emolduram os melhores quadros da história recente desse Estado, é um privilégio por muitos ambicionado e somente por poucos alcançado.

Tenho já, amigo Adriano, algumas várias passagens por essa Casa; e não me recordo de que ela, para um evento do gênero, tenha tido tanta representatividade!

Na sequência das boas recordações, sigo aqui, Adriano, semeando lembranças que sedimentam e exemplificam a sua disciplina e capacidade de liderança.

Já de volta à sua Pocinhos, após o pouco sucesso da empreitada familiar na busca de dias melhores em outras plagas, você conseguiu aprimorar e incrementar a criação de porcos de D. Elizabete, no sítio que se lhes era residência, lá na entrada da cidade.

Final da tarde, cumpridas as obrigações escolares e das vendas de bombons, a despeito de assegurar aos seus muitos colegas de época o acesso ao concorrido banho nos tanques de água lá de sua casa, você “arrebanhava” todos para ajudá-lo a buscar nas casas da cidade e transportar nas carroças de mão as sobras de comida - a chamada “lavagem” - levando-as até o sítio, onde se multiplicava a criação de porcos sob os cuidados de Dona Elizabete, sua mãe.

A tarefa que sozinho seria árdua, quase extenuante, em grupo se cumpria ágil e facilmente. Em seguida, claro, banho de tanque para deleite da galera e coroamento do trabalho.

Ainda no esteio dessas recordações, será que sua memória alcança as lembranças do time de futebol que “Zé Burro Véi” fundou lá em Pocinhos?

Lá só tinha um único time de pelada e você e seu grupo de amigos mais próximos não tinham acesso. Daí, para que vocês pudessem bater uma bolinha, botaram na cabeça então de fundarem um novo time; mas esse time teria que ter um nome diferente, inusitado: e logo, “Zé Burro Véi” aquiesceu  a uma sugestão que até hoje ninguém sabe de quem foi a autoria, e denominou o time de “Chuncumbiu”.

Se fosse pouco esse fato, a camisa do novo clube era rubro-negra e você e Luciano, trezeanos doentes, armavam a maior confusão para vestir a camisa do time...

 

Mas, lilustre Presidente do egrégio Tribunal de Justiça do nosso Estado, Desembargador Márcio Murilo; senhores Desembargadores presentes e que abrilhantam essa sessão solene; querido amigo Conselheiro Nominando Diniz, Presidente em Exercício da nossa atuante e honrada Corte de Contas; companheiros deputados e deputadas: me permitirei, ainda, seguir abusando da atenta e honrosa audiência que vocês emprestam ao nosso homenageado, e dizer-lhes um pouco mais a respeito da fantástica e invejável história de vida de Adriano Galdino.

Ainda nos seus verdes anos, Adriano foi garçom do Pocinhos Clube e, para tanto, contou com a solidária conivência de seu Manuel Porto, amigo da família e Presidente daquele sodalício pocinhense. Adriano era adolescente, portanto, menor de idade, e para cumprir com o exercício da profissão - fato que fazia com esmero, prazer e dedicação -, teve que contar com o aval de seu Manuel Porto e ainda de Dona Neuzinha Targino, chefe da bilheteria daquele Clube, que tratava-o como um filho e dizia em forma de alento e conforto a Dona Elizabete: “se preocupe não, comadre, eu cuido de Adrianinho aqui; boto olho e sentido na sua atuação”. Era como se fora um anjo da guarda a proteger Adriano nas intermináveis noites que adentravam a madrugada, no exercício do seu mais novo mister.

Talvez a vocação de servir, tão acentuada e sempre presente na trajetória política de Adriano, decorra, exatamente, daqueles tempos de garçom, que fazem do ato de servir ao próximo a razão de suas próprias vidas.

 

Se, de um lado, Adriano seguia estudando e trabalhando duro para ajudar na formação dos irmãos mais novos, de outro seu Toinho Galdino revezava-se em múltiplas atividades para assegurar o sustento da família. Foi marchante em Pocinhos, caminhoneiro, pequeno comerciante de hortifrutigranjeiros - comprava-os nos sítios locais e os revendia nas feiras livres.

Adriano seguia em marcha batida dando rumo aos aconselhamentos de sua sábia e dedicada mãe, Dona Beth, para os próximos; sabia que só a educação edificava e dignificava o homem. 

Varava noites a fio estudando para a preparação do vestibular. Ousado e corajoso - desde sempre -, resolveu prestar exames em um dos cursos mais concorridos da UFPB, em Campina Grande: Engenharia Civil. Passou de primeira e muito bem colocado. Essa, muitos aqui sabem, era uma façanha, um privilégio quase que inalcançável aos filhos dos pobres e só afeita às descendências de famílias ricas, abastadas! Mas o filho de seu Toinho Galdino e Dona Beth, um vencedor contumaz, iluminado por Deus, como apregoava o Padre Galvão, celebrou essa importante e notável conquista, vindo a se tornar engenheiro quatro anos mais tarde.

Ainda estudante de engenharia, seguindo a orientação de seu pai e de familiares próximos, era imperativo que Adriano buscasse um Porto mais seguro de vida. Um emprego federal e o mais cobiçado daqueles tempos era o do Banco do Brasil.

Inscreveu-se, então para o concurso nacional do BB e meteu a cara nos livros. Não precisa nem dizer-lhes o resultado, creio. Passou entre os primeiros colocados em todo o país, podendo, a partir desse extraordinário desempenho, ser designado para trabalhar numa agência do compartimento da Borborema, mais precisamente na cidade de Boqueirão.

Transferido depois, por mérito, para uma agência de Campina Grande e, na sequência, para realizar o seu maior sonho daquela quadra de vida: trabalhar no Banco do Brasil de Pocinhos. Uma glória, apoteótico feito, comemoram os seus pais orgulhosos e envaidecidos.

Era, pois, o retorno triunfal do filho de seu Toinho e Dona Beth à “sua terra natal”.

Mas como nem tudo são flores e, como diz o próprio Adriano, que nada se lhe aconteceu na vida sem muita luta e sacrifício, faltando três meses apenas para colar grau em Engenharia Civil, o Banco deu-lhe o ultimato para tomar posse, fato que ocorreu no dia 23 de março de 1983.

Em decorrência, passou a praticamente não frequentar as aulas do último semestre de faculdade e quase não consegue colar grau em função do excessivo número de faltas.

Com muita negociação e, notadamente, em razão das suas boas notas, conseguiu, enfim, em junho daquele ano, ostentar o que seria no campo profissional talvez a sua maior glória: transformar o filho de seu Toinho e Dona Beth, naquele doutor sentenciado, lá atrás, por Padre Galvão.

Ali estava então o Engenheiro, funcionário do Banco do Brasil.

 

Peço-lhes permissão, ou melhor lhes peço de empréstimo um pouco mais da generosidades dos seus ouvidos, para que eu possa complementar ou fidelizar um pouco mais a caminhada de vida que se fez palmilhar Adriano, até que os ventos do destino e a sempre protetora mão divina o trouxesse lá da mercearia de seu Genaro dos Santos até a Presidência da Casa de Epitácio Pessoa, já pela segunda vez!

Lá no comércio de estivas e cereais de seu Genaro, entre outras muitas funções, Adriano quebrava o açúcar que vinha ensacado em fardos, para comercializá-lo a granel, e foi exatamente lá o seu último emprego de adolescente, saindo de lá para os bancos de Universidade Federal,  deixando, como sempre o fizera, o seu querido irmão Luciano trabalhando em seu lugar na concorrida mercearia de seu Genaro.

Adriano, já feito gente, como diria o seu fiel amigo Zé Gotinha, aqui presente, após o seu retorno a Pocinhos como bancário, foi criando entusiasmo com a atividade política, inspirado certamente pela cativante gestão do poeta Ronaldo Cunha Lima como Prefeito de Campina - 1982/1988 -, de quem se tornou admirador, amigo e aliado histórico, e resolveu concorrer a uma cadeira de Vereador na Câmara Municipal de Pocinhos.

Vocês têm dúvida quanto ao resultado? Não, estou certo! Pois bem, Adriano obteve a segunda maior votação naquele pleito.

Entusiasmado, construiu um mandato popular e com um foco especial ao homem do campo.

A seca castigava, como costumeiramente o faz naquela região, e o Vereador Adriano com recursos do seu salário montou um carro pipa e danou-se (como se diz por lá) a distribuir água tratada pelas localidades completamente desabastecidas da zona rural.

Essa e outras muitas ações de solidariedade humana lhe renderam uma notória distinção entre os políticos locais.

Eis que chega o pleito municipal de 1988 e motivado pelos seus admiradores e munícipes, mercê do seu proativo mandato de Vereador e, penso eu, embalado, também, pelo vigor da juventude que se espraiava através do eco da candidatura do também muito jovem Cássio Cunha Lima, Adriano se lança no projeto de disputar a Prefeitura de sua Pocinhos.

Para uns, uma loucura, um desvario! Para outros, uma oportunidade de fortalecimento político; mas, para todos, uma aventura ousada.

Deixar um reeleição assegurada, com chances de ser o mais votado, para enveredar numa disputa renhida, enfrentando sagazes e expressivas lideranças tradicionais...

Ah, estou certo que vocês desejam saber o resultado de mais essa empreitada.

Adriano, venceu!

Claro que venceu. Deus o fez vencedor, desde criancinha. Que nos diga o Padre Galvão, não é, Dona Beth?

Construiu, realizou, uma operosa gestão, calcada em três pilares: educação, saúde e agricultura para o homem do campo, legando, como consequência, a eleição do seu sucessor.

Afora as muitas ações e obras protagonizadas na profícua gestão, foi de Adriano a iniciativa de criar o café do aposentado, que era um desjejum que a Prefeitura destinava aos trabalhadores rurais que vinham receber suas aposentadorias no Banco do Brasil, e que saíam de casa pela madrugada e ainda tinham que enfrentar as enormes filas de pagamento.

Foi reeleito Prefeito de Pocinhos por mais duas vezes. E, convenhamos: ninguém se elege três vezes Prefeito de uma cidade se não for pela dimensão de sua ação administrativa, pela grandiosidade do seu trabalho e, naturalmente, pelo reconhecimento do seu povo.

Pocinhos, no dizer de uma majoritária parte da população, é mensurada antes e depois das administrações do filho de seu Toinho e Dona Elizabete.

 

No curso do seu primeiro mandato de Prefeito, Adriano abriu espaço para uma das mais memoráveis, longevas e simbólicas conquistas: transformou em seu o coração de Eliane. Desposou-a em 06 de junho de 1986, tornando-a desde aqueles idos o seu maior PROJETO de vida. Eliane foi, sempre e em todos os momentos, argamassa, alicerce, viga e teto na construção de todas as etapas desses 30 e tantos anos de partilha, doação, solidariedade e amor recíprocos.

Dessa fusão de DOIS CORAÇÕES, TRANSFORMADOS EM UM PELO AMOR, nasceram a substância mais indissociável e amada dessa longeva união: ALANA, PRISCILLA e ADRIANA. Três belas e distintas mulheres que enchem e preenchem o coração de Adriano. É ao lados delas que ele se faz ainda mais gente, mais humilde, mais cidadão.

Adriano, de resolutividade invejável, de pulso determinado, de extremo vigor nas decisões, volta a ser aquela criança dos banhos nos tanques d’água de seu Toinho, ao ser abordado ou questionado pelas suas meninas. “Elas mandam em mim, sempre. Eu nem as questiono”, diz-nos, em sorriso, quando o provocamos sobre o tema.

O destino, contudo, no sentenciamento das tribulações e abismos da vida,  diminuiu um pouco a gigantez  e a fortaleza interior de Adriano, quando em 08 de agosto de 2011 foi chamado para junto de Deus o seu querido pai, Antônio Galdino Filho, seu Toinho de Dona Beth.

O instante mais cinzento não apenas na vida do nosso homenageado, mas em todo o círculo familiar, com evidência para Dona Elizabete, timoneira e ancoradouro de seu Toinho e toda a família.

Foi duro, muito duro, igualmente, para Rosângela, Soraya, Patrícia, Fabiano, Alexandre e Murilo. Uma dor coletiva que só quem, como eu, que também perdi meu pai recentemente, sabe mensurar e aquilatar a escuridão e a profundidade desse abismo.

A vida, mercê dos desígnios de Deus, voltou a colorir os caminhos de Adriano, e no mesmo dia e mês do falecimento de seu Toinho, os céus brilharam e lhe trouxeram - pelo ventre de Alana, sua primogênita - a sua mais amada e reverenciada descendência: Adriano Neto.

Adriano é outro homem, depois que Felipe, seu genro e Alana lhe legaram sua cria. Nenhum compromisso é mais prioritário que o tempo que ele dispensa à convivência com Adriano Neto. Encanta-se, vive postando fotos e vídeos nas redes sociais, torna a ser criança na felicidade e na contemplação da extensão familiar.

***

Encaminho-me para o final dessa viagem no tempo. Um passeio pelo passado, que buscou fidelizar e dar conhecimento a essa singular trajetória de Adriano Galdino. Uma história de vida, escrita com indeléveis tintas; com as tintas do trabalho, da decência, da coragem e da honestidade.

Os seus colegas deputados, à boca pequena, em elogios à sua conduta e em respeito à sua história dizem: “Esse é o matuto mais sabido e competente da Paraíba”!

Pois bem, na evolução de sua caminhada política e pública, aninhou muitos amigos e construiu muitas e memoráveis conquistas.

Lembro-me, como última reminiscência a ser narrada, da sua luta, Adriano, para fazer cumprir um compromisso de campanha assumido por Ronaldo Cunha Lima, em sua campanha ao Governo da Paraíba, que assegurou em reciprocidade ao apoio político de Adriano - lá em Pocinhos - a construção de uma adutora que levasse água para a cidade. Esse era, de longe, o maior e mais aflitivo problema de Pocinhos.

Acompanhei de perto a saga de Adriano. Eu era Chefe de Gabinete de Ronaldo, e a direção e todo o corpo técnico da CAGEPA se posicionara contrários à execução daquela obra.

Foram dezenas de idas  e vindas, negociações tensas e tensões diversas. Descrença da população quanto à exequibilidade e conclusão da obra. Enfim, depois de umas batidas na mesa e o inarredável propósito de RCL em cumprir a promessa, a obra foi concluída e inaugurada. Creio, Adriano, que aquela foi sua maior luta e, também, a sua maior conquista em benefício do seu povo.

 

***

Concluo, meu amigo querido, antecipando as desculpas pelo excesso do tempo e pela pequinês da minha inspiração ou eloquência para traduzir, dimensionar e expressar o seu valor, Adriano.

Siga, companheiro, altivo, amigo e solidário como a vida lhe fez. Protegendo os menos favorecidos, honrando os seus compromissos, alargando os horizontes e ampliando as esperanças do nosso povo.

Creio que ninguém, em nenhum tempo, conseguiu, como você, ser 3 vezes Presidente desse Poder. Isso, claro, lhe distingue. Mas o que lhe diferencia mesmo, meu Presidente Adriano, é o seu valor pessoal, a sua honradez, a sua capacidade de transpor obstáculos e superar adversidades.

Torço e acredito que sua bela e inspiradora história não termine aqui. Ela se alargará além tempo, e as conquistas e materializações do porvir serão contadas por muitas vozes e escritas por muitas tintas.

Parabéns, Adriano, esse é presente de aniversário que divido com a Casa, nessa merecida e justa homenagem.

Fique com Deus, amigo, e siga firme no propósito e no trabalho por UMA PARAÍBA MAIS JUSTA E MAIS UNIDA PARA TODOS, como você apregoa!

Forte abraço!”