Ambulatório para Travestis e Transexuais completa um ano

O Ambulatório de Travestis e Transexuais (TT) do Complexo Hospitalar de Doenças Infectocontagiosas Clementino Fraga, que integra a rede estadual de saúde, completou um ano nesta quinta-feira (24). Neste primeiro ano, o ambulatório TT realizou cerca de 650 atendimentos. Para lembrar a data, foi realizada uma programação especial, com palestras, atividades culturais e a apresentação de um relatório sobre as atividades realizadas pelo serviço durante esse período.



A programação teve início às 9h30, no auditório do Clementino, com a presença da diretora geral do Hospital, Adriana Teixeira; a coordenadora estadual de HIV/Aids e Hepatites Virais, Ivoneide Lucena; o gerente do Ambulatório TT, Sérgio Araújo; a representante da Associação de Travestis e Transexuais da Paraíba, Andreina Gama e a secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Gilberta Soares.



Gilberta lembrou a dificuldade que a população LGBT enfrentava para ter atendimento médico. “Antes, até falar o nome LGBT era complicado. As pessoas ignoravam essa população, que era totalmente marginalizada. Quantos travestis chegavam a contratar uma pessoa para levá-la ao médico porque não tinham coragem de sair durante o dia? Isso tudo para se proteger da violência, da homofobia. Por causa disso, se automedicavam, o que também sempre foi um grande problema. E agora, contamos com este serviço, que tem uma equipe muito comprometida e significa um avanço para essa população”, disse a secretária.



A representante da Associação de Travestis e Transexuais da Paraíba, Andreina Gama ressaltou a importância da humanização do serviço. “Muitas vezes me automediquei porque não tinha coragem de procurar atendimento de saúde. O sistema não me via como ser humano. Hoje agradeço muito aos profissionais do ambulatório, pela sensibilidade com que abraçaram este projeto. Aqui a população TT se sente realmente acolhida. Nesse dia de comemoração, agradeço a toda equipe do ambulatório pelo carinho e comprometimento”.



A diretora geral do Clementino Fraga, Adriana Teixeira, explicou que para a implantação do serviço houve uma ampla discussão entre o Governo do Estado, por meio das Secretarias da Saúde e da Mulher e Diversidade Humana com o movimento LGBT, que já vinha reivindicando a necessidade de abrir um serviço para cuidar da saúde integral desta população. “A criação do ambulatório representou um momento importante na saúde da Paraíba, que é a igualdade de direitos que está sendo oferecida à população LGBT”, afirmou.



Atualmente, o serviço tem cadastrado 77 pessoas, dentre elas, 11 homens trans e o restante divididos entre travestis e mulheres trans. Deste número, 56% foi ao ambulatório a procura do tratamento hormonal (hormonioterapia). Há também grande procura pelo processo transexualizador.



O gerente do ambulatório, Sérgio Araújo, afirmou que nesse primeiro ano já foram contabilizadas grandes conquistas, entre elas, a primeira cirurgia via ambulatório TT. A trans feminina, Ayune Bezerra, fez a tireoplastia, conhecida popularmente como raspagem do pomo de adão, e outras duas trans estão fazendo os exames preliminares para se submeterem à mesma operação ainda neste ano.



O ambulatório TT é o único do Nordeste.  Recentemente, a Paraíba sediou o curso de formação de profissionais de saúde, gestores dos serviços do processo transexualizador no SUS – Região Nordeste, que contou com participantes da Bahia, Pernambuco, Ceará e Paraíba. Outra conquista foi a contratação de uma trans para a linha de frente do ambulatório.



“Nosso cronograma continua o mesmo desde a abertura do ambulatório, ou seja, o travesti ou trans que desejar um dos nossos serviços deve procurar primeiramente o espaço LGBT, onde serão encaminhados para o ambulatório, munidos do encaminhamento, xerox do RG e do cartão SUS. Dessa foram, ele ficará cadastrado e terá direito a todos os serviços”, concluiu Sérgio.



Sobre o serviço – A equipe de profissionais do ambulatório é formada por ginecologistas, endocrinologistas, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas e fonoaudiólogos. “O ambulatório do Clementino Fraga é o mais completo do Brasil e se tornou referência para outros Estados”, destacou Adriana Teixeira.



O Ambulatório TT é um espaço específico para o atendimento da população de travestis e transexuais dos 223 municípios paraibanos e mais dois Estados da região Nordeste: Pernambuco e Rio Grande do Norte.  Os atendimentos são de segunda a sexta-feira, das 7h às 12h e das 13h às 17h. Os telefones de contato são: 3218-5401, 3218-5416 ou 8867-9005.