Audiência pública discutirá crise em universidades

O corte de 30% nas verbas de custeio das universidades públicas, especialmente seus efeitos nas instituições paraibanas, será tema de audiência pública que a Assembleia Legislativa realizará ainda neste mês. A iniciativa é do deputado Ricardo Barbosa (PSB), líder do governo estadual na AL.



“Segundo cálculos já divulgados, essa redução no custeio significa uma redução de R$ 91 milhões no orçamento deste ano para as instituições públicas de ensino superior paraibanas. Para a Universidade Federal da Paraíba, a redução será de R$ 44 milhões; para o Instituto Federal da Paraíba, R$ 20 milhões, e para a Universidade Federal de Campina Grande o corte será de R$ 27 milhões. Cortar custeio é diferente de outros contingenciamentos já realizados anteriormente. É tão grave que a reitora da UFPB, Margareth Diniz, sinaliza para a impossibilidade de funcionamento da universidade num futuro próximo”, observou o deputado.



Barbosa salienta que cortar essas verbas é golpear duramente as universidades públicas, seus alunos, funcionários, professores, a formação de profissionais e as pesquisas científicas. “As universidades públicas realizam um papel estratégico no desenvolvimento do país que está sendo ignorado”, protestou.



Ele comunga das preocupações dos reitores paraibanos em relação à paralisação de vários serviços básicos que garantem o funcionamento dessas instituições, alguns até terceirizados. “Contas de água, energia e compra de insumos exigem segurança de repasse de recursos. Como disse a reitora da UFPB, chegará um dia em que as despesas com esses e outros serviços não terão como ser pagas”. Margareth disse que o bloqueio reduzirá várias atividades. “A gente não fecha as contas do ano. Vamos tentar ver um trabalho de redução de energia, água e telefone”, ressaltou a reitora.



Já o vice-reitor da UFCG, Camilo Farias, disse que o bloqueio não deve ter um impacto na assistência estudantil, “mas que pode atingir a quantia destinada para outras bolsas, como de iniciação científica e extensão”, disse ele em entrevista à imprensa.



Pesquisas científicas



Uma grande preocupação dos educadores é em relação à diminuição drástica de pesquisas científicas. “Essas pesquisas científicas significam desenvolvimento e agora elas estão ameaçadas. É preciso levar em conta que 99% das pesquisas no país são realizadas em instituições públicas, principalmente universidades. Tanto é assim que elas contribuem para que o país ocupe o 13º lugar entre as nações quando o assunto é ciência”, enfatizou.



Dentre os vários exemplos apontados em levantamentos feitos por todo o país que indicam a estreita relação entre a produção científica e o desenvolvimento econômico, o deputado citou a parceria que a Universidade Rural de Pernambuco realiza com a iniciativa privada visando o desenvolvimento do agronegócio naquele Estado, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Trata-se da estação experimental de cana-de-açúcar de Carpina, cujo funcionamento é garantido por convênios realizados entre aquela universidade e 15 usinas de produção de etanol nos três Estados e com associações de fornecedores de Pernambuco e Paraíba. “A iniciativa já desenvolveu mais de 10 variedades de cana com elevadas produtividades agroindustriais, resistentes às principais pragas e doenças. Na UFPB, várias produções científicas têm destaque nacional e algumas até ultrapassaram fronteiras. Inviabilizar essas pesquisas é contribuir para o estancamento do desenvolvimento”.