Cássio diz que país vê ‘desmoronamento de ícones’

“Como se não bastassem as dificuldades no orçamento das famílias, que decorrem da recessão econômica criada pelo próprio governo, nós estamos tendo algo igualmente grave na realidade brasileira, que é o desmoronar de verdadeiros ícones de orgulhos do nosso povo, como acontece com a Petrobras e os Correios”. Estas foram as palavras indignadas ditas pelo líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), nesta terça (24), na tribuna.

Ao comentar os atos de corrupção na Petrobras, o tucano disse estar impressionado e surpreso com a falta de providências judiciais da estatal para reaver os recursos desviados tanto por diretores da empresa, que tomavam dinheiro ilegal, como também das diversas empresas que participaram desse esquema criminoso.

“O presidente da Petrobras deve receber um salário, e o povo brasileiro talvez não saiba disso, de R$160 mil por mês. O diretor da Petrobras, fora bônus, recebe salários de R$100 mil por mês e mesmo assim, como se não bastassem esses salários extraordinariamente altos, diretores da Petrobras roubaram para si e para o Partido dos Trabalhadores, de acordo com o que tem sido revelado na delação premiada”, disparou Cássio.

Fundos de Pensão dos Correios

Cássio comentou a crise no fundo de pensão dos Correios, o Postalis, que, segundo ele, foi submetido a uma administração “temerária” e gerou um rombo de bilhões de reais que poderá ter que ser pago pelos funcionários.

“Não é só a Petrobras que hoje decepciona o povo brasileiro. Um outro ícone de referência da nossa sociedade, um outro orgulho do nosso povo, a empresa dos Correios, anteriormente conhecida como Correios e Telégrafos, hoje é alvo também de investigações que geram perplexidade na auditoria do Tribunal de Contas da União e que exigem providências do Senado Federal”.

O líder citou matéria publicada pelo jornal Estado de S.Paulo desta terça (24), intitulada “TCU aponta ação irregular dos Correios”,

(http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,tcu-aponta-acao-irregular-dos-correios-imp-,1656588), que traz a revelação de que a área técnica do tribunal afirma que a distribuição de material de campanha de Dilma, nas eleições do ano passado, infringiu regras.

“Os Correios, que é uma empresa do governo federal, foi utilizada de maneira ilegal pela presidente da República para distribuição do seu material de campanha, o que, acredito eu, em nome da democracia, deverá ser alvo de análise também da Justiça Eleitoral. Precisamos ficar muito atentos a tudo isso que está acontecendo”, enfatizou.

O senador tucano também mencionou a crise no fundo de pensão dos Correios, que, segundo ele, foi submetido a uma administração “temerária” e gerou um rombo de 5,6 bilhões de reais que poderá ter que ser pago pelos funcionários por um período de 15 anos.

“Os números dos desmandos, dos desvios da corrupção no Brasil impressionam. As pessoas já não conseguem compreender o tamanho da proporção do que tem sido a roubalheira, os desmandos e os desvios do nosso país. As pessoas falam em US$100 milhões como se referem a dez centavos. Falar em bilhão hoje, no Brasil, passou a ser algo comum, enquanto que, num país como os Estados Unidos, quando se fala em US$500 milhões são US$500 milhões. Quinhentos milhões de dólares, no Brasil de hoje, se transformaram num Barusco e meio”, ironizou o senador, fazendo referência ao ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, que foi denunciado e responde a ação penal na Operação Lava Jato.

CPI dos Fundos de Pensão das estatais

O líder Cássio Cunha Lima também afirmou à senadora Ana Amélia (PP-RS) que o PSDB irá apoiar a proposta de criar uma CPI que investigue os fundos de pensão das estatais.

“Colheremos as assinaturas, dirigindo o nosso apelo ao Plenário do Senado, para que nós possamos conseguir um número constitucional de assinaturas, a fim de que essa verdadeira caixa-preta seja aberta. O que acontece nos fundos de pensão das estatais brasileiras, seguramente, é mais grave do que vem sendo revelado na Petrobras, como se supõe também a gravidade dos episódios que aconteceram no BNDES”, afirmou.