Frei participa de Marcha das Mulheres Negras



O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Paraíba, Frei Anastácio (PT), está participando de todas as atividades da Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, em Brasília, nesta quarta-feira desde às 9h. “O fato lamentável foi a reação  dos “coxinhas”que estão acampados em frente ao Congresso Nacional, que receberam as mulheres atirando.Não era de se esperar outra coisa, eles estão acampados pedindo a volta dos militares ao poder”, disse o deputado.

Frei Anastácio informou que foi preciso a intervenção da polícia que prendeu três pessoas, entre elas um policial civil acusado de atirar. “É esse tipo de gente que quer tirar Dilma do poder democrático. Um bando de fascistas que não se conformam em ter um governo popular no poder. O que eu lamento, é esse tipo de gente está ao lado do Congresso Nacional e nenhum deputado denunciou no plenário que eles apoiam o golpe militar.  Isso comprova que a grande maioria dos que estão na Câmara e no Senado não representa o povo. E eu disse isso na cara de vários deles hoje, durante o confronto com os coxinhas”, relatou Frei Anastácio.

Participação

A manifestação reuniu cerca de 20 mil mulheres de todos os estados e regiões do Brasil para marchar pela garantia de direitos já conquistados, pelo direito à vida e a liberdade, por um país mais justo e democrático e pela defesa de um novo modelo de desenvolvimento baseado na valorização dos saberes da cultura afro-brasileira.

Além disso, o encontro tem o intuito de reafirmar a contribuição econômica, política, cultural e social das mulheres negras que construíram e constroem diariamente o Brasil. A marcha acontece no âmbito da Década Internacional dos Afrodescendentes 2015-2024 das Nações Unidas e do mês da Consciência Negra.

A Marcha é uma iniciativa de diversas organizações e coletivos do Movimento de Mulheres Negras e do Movimento Negro, além de contar com o apoio de importantes intelectuais, artistas, ativistas, gestores e gestoras, comunicadores e comunicadoras e referências das mais diversas áreas no Brasil, América Latina e África. Estão presentes trabalhadoras rurais, catadoras de material reciclável, pescadoras, marisqueiras, quilombolas, estudantes, mestres e mestras da cultura tradicional, empreendedoras, yalorixás, entre outras mulheres negras dos diversos setores da sociedade.

A proposta da Marcha surgiu durante o Encontro Paralelo da Sociedade Civil para o Afro XXI, realizado em 2011, em Salvador. A partir de então, mulheres negras e do movimento social de mulheres negras atenderam ao chamado e deram início as mobilizações para a Marcha. De 2011 até agora, foram realizadas diversas ações entre debates, oficinas, passeatas, eventos formativos, articulações em âmbito local, regional, nacional e internacional.

Temas da marcha

A agenda de debate proposta pelos movimentos sociais, especialmente, os de mulheres negras tem buscado refletir e incidir sobre o lugar da mulher negra na sociedade e os desafios da luta contra o racismo, a pobreza e a sub-representação nos espaços de poder e decisão. Temas relacionados ao mercado de trabalho formal e informal, produtivo, reprodutivo, enfrentamento à violência racial, física, psicológica, patrimonial e moral, à violência doméstica e sexual, genocídio da população tem sido discutidos e necessitam de respostas urgentemente, razão pela qual a Marcha será um espaço de formação e incidência política de grande importância para a conquista e a garantia de direitos das mulheres negras em todo o território nacional.