Lontra albina completa um ano no Parque Arruda Câmara

Há exatamente um ano chegava ao Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica) uma lontra (Lontra longicaudis) albina macho. Para comemorar a data, o animal raro estava em situação de risco e foi encaminhado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/PB) à Bica,
recebeu um bolo à base de carnes (mistura de frango e peixes).
 
Quando chegou ao Parque, com aproximadamente com dois meses de idade, na fase de amamentação, a lontra passou a ser alimentada com dieta adequada às necessidades da espécie e acompanhada pelos técnicos do Zoológico, porém, os maiores cuidados ficaram com o Setor de Neonatologia. Por se tratar de um filhote, os técnicos tiveram cuidado redobrado também com a higienização. Esse tipo de atenção é dada a todos os filhotes.
 
Hoje a lontra albina se alimenta sozinha, com uma dieta balanceada, pesada diariamente, na qual são oferecidos, tanto peixe vivo como abatido, carne bovina, fígado, coração e frango, além da suplementação com vitaminas. As presas vivas, no caso de peixes e esporadicamente, caranguejos, são utilizados para estimular o nado e para não perder o comportamento natural, que é a caça.
 
Albinismo- As lontras geralmente têm coloração marrom à parda, porém a que mora na Bica, por ser albina, que é a ausência de melanina no corpo, tem a pelagem bastante clara e olhos avermelhados. A ocorrência de albinismo em lontras é rara. Só se tem conhecimento do registro de um caso na Escócia.
 
A bióloga do Parque, Fabiana Zermiani, explica que a condição de albinismo dificulta a camuflagem na natureza e torna o animal vulnerável aos predadores, e que o fato dele ter chegado ainda filhote na Bica, fez com que precisasse de cuidados especiais dos técnicos. "Ele foi encontrado por um pescador, estava sozinho, perdido da mãe, e como ainda era filhote em fase de amamentação, não poderia ser deixado lá, pois se tornaria presa fácil ou alguém poderia capturá-lo. Então a Polícia Ambiental foi solicitada e o trouxe pra cá" explicou a bióloga.
 
Recinto

 O recinto onde vive o exemplar foi pensado, inicialmente, para um primata, por isso foram necessárias algumas alterações para ficar o mais próximo do que seria o habitat natural de uma lontra. Foram criadas elevações para correr e se exercitar, toca para se esconder e dormir. Além disso o tanque com água foi aumentado, ficando mais profundo. No tanque sempre são colocados troncos e brinquedos para ele não ficar ocioso. Por ser um animal que passa boa parte do tempo nadando, existe em andamento o projeto da construção de um recinto feito especialmente para ele, com uma área maior de água.
 
O animal é da espécie Lontra longicaudis (nome científico), uma das menos conhecidas no mundo, está ameaçado de extinção em alguns Estados como Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, principalmente pela redução da mata ciliar, degradação do seu habitat e a procura por sua pele.
 
Características

 As lontras nascem cegas e passam até sete semanas dentro do ninho, ficando, nesse período, dependentes dos pais. Alimentam-se basicamente de peixes, crustáceos e moluscos, seu peso varia de 9 a 15 quilos. Abrigam-se em tocas às margens dos rios e são considerados animais semiaquáticos, pois possuem membranas interdigitais e caudas achatadas, que são utilizadas como leme. De hábitos noturnos, ficam mais ativas ao entardecer. Os machos são maiores que as fêmeas, e sua reprodução ocorre geralmente na primavera.