Operação Estirpe apura compra de plantas na pandemia

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (GAECO/MPPB), o Tribunal de Contas do Estado (TCE/PB), a Controladoria Geral da União (CGU) e as polícias Civil e Militar da Paraíba deflagraram, na manhã desta sexta-feira (10), a Operação Estirpe', que tem como objetivo combater irregularidades em licitações e dispensas que propiciaram a contratação de empresas cujos titulares possuem relação de parentesco ou amizade com os gestores do Município de Alhandra. A operação que conta ainda com apoio da Secretaria de Estado da Fazenda, começou a partir de um relatório do grupo de inteligência do TCE-PB. Os pagamentos realizados pela Prefeitura de Alhandra, em favor das empresas investigadas, totalizam o montante de R$ 5.387.178,47.

Os trabalhos contam com a participação de 08 auditores da CGU, 12 Auditores da SEFAZ/PB, 06 Auditores do TCE/PB, 03 Promotores e 22 servidores do Ministério Público da Paraíba, além de 32 Policiais Civis e 20 Policiais Militares, sendo cumpridos 21 mandados de busca e apreensão nas cidades paraibanas de Alhandra, João Pessoa, Cabedelo e Guarabira, bem como na cidade de Igarassu, em PernambucoAs equipes utilizam equipamentos de proteção individual (EPI), para que não haja comprometimento das medidas de prevenção à disseminação do novo coronavírus.

A investigação teve início após notícias veiculadas na mídia acerca da realização de um pregão presencial para a aquisição de plantas ornamentais, em plena situação de emergência e de restrição financeira causada pela Covid-19, cujo aprofundamento das investigações possibilitou a constatação de indícios de irregularidades em outras licitações e dispensas vencidas por empresas ligadas a familiares e amigos dos gestores daquele Município, a exemplo do direcionamento da contratação para determinadas empresas, favorecimento a licitantes, contratação de empresas com estruturas incompatíveis com o volume de produtos/serviços a serem fornecidos ao município.

O direcionamento das contratações, em favor de determinadas empresas ligadas direta ou indiretamente ao gestor público, possibilita a ocorrência de desvio de recursos públicos que poderiam ser utilizados tanto no combate à Pandemia do Coronavírus quanto em outras ações e serviços públicos voltados à melhoria da qualidade de vida da população do Município de Alhandra, que atualmente conta com aproximadamente 400 casos registrados de pessoas que contraíram a Covid-19.

O prefeito de Alhandra, Renato Mendes, já havia dito em declarações à imprensa que a compra não tinha sido efetivada e, portanto, não havia prejuízos para os cofres públicos.

O superintendente da CGU, Severino Queiroz, disse que as investigações começaram há dois meses, mas ainda há "uma pequena ligação" com a Operação Pão e Circo, que foi deflagrada anos atrás para apurar gastos com bandas de forró pela Prefeitura de Alhandra.