A pandemia castiga o Consórcio NE

Ainda não dá para entender como exatamente o Consórcio Nordeste contribuiu para conter o avanço da Covid 19 na região. Os números só aumentam, as curvas de transmissibilidade são ascendentes e até as compras que esse comitê encaminhou deram errado. Tem aí um preço político a ser pago pelos governadores. Muitos deles estão apresentando planos de retomada das atividades econômicas, como é o caso da Paraíba, para daqui a 15 dias. Como determinar a volta, mesmo que gradual, à normalidade por decreto? Em duas semanas o governante vai exclamar: "A pandemia chegou ao fim. Vamos viver no novo normal"(???).

A pandemia ainda não avançou, como se prevê, pelo interior. Nas cidades mais distantes dos grandes centros, na zona rural e na periferias de municípios mais pobres, a doença bem sequer aportou.

A impressão que dá é que o Consórcio Nordeste, que tem como base o estado da Bahia, fez os gestores embarcarem num discurso político e numa corrida desenfreada para tentar mostrar que a região não precisava do Governo Federal, que agia independente do Ministério da Saúde e isso faria a diferença na contenção da pandemia. Pelo que assistimos, até aqui, deu errado. Não há como falar em sucesso nas estratégias que validaram o bloqueio total das atividades, mas os resultados, na prática, foram pifíos.

Rio de Janeiro, Maranhão e Pará registraram, no dia 7 de maio, alguns dos maiores índices de pessoas em casa entre todas as unidades da federação — 49,19%, 49,15% e 49,03%, respectivamente. Os três estados foram os primeiros a terem medidas de "lockdown" em parte dos seus territórios e imediatamente alcançaram resultados melhores, revela o IIS (Índice de Isolamento Social) calculado pela In Loco, startup brasileira que monitora a movimentação de 30 milhões de celulares a partir dos dados de geolocalização. Ora, não conseguiram sequer 50%, quando a Organização Mundial de Saúde preconiza um índice entre 65% e 70%. Depois da decisão do Maranhão, o isolamento rígido se espalhou pelo país, com possibilidade, por exemplo, de sanções como multas em caso de descumprimento.



O Maranhão chegou, neste sábado (30 de maio)  a 34.639 casos confirmados do novo coronavírus nesta sábado (30), segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (SES). São 955 óbitos pela Covid-19 e 8.965 estão curados. A doença atinge 213 dos 217 dos municípios maranhenses, o que equivale a 98% de todas as cidades.



Fica claro que o "lockdow" pouco surtiu efeito positivo. Os casos continuam disparando e decretos governamentais não determinam a aceleração ou a redução da velocidade do Coronavírus.