Ausência de Ricardo não causou indigestão à articulação de Temer

A ausência do governador Ricardo Coutinho (PSB) nem foi notada pelo presidente Michel Temer (PMDB), no jantar que foi oferecido no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (13) à noite. Temer fez o jogo do toma-lá-dá-cá e prometeu liberar empréstimos travados pelo BNDES.

Governadores do Nordeste e que fazem oposição ao presidente Michel Temer participaram desse encontro. Nos dizeres do governador Ceará, Camilo Santana (PT), que participou do jantar com o presidente da República, são R$ 20 bilhões que deixaram de circular em obras, investimentos e ações nos estados.

Ricardo Coutinho não estava na relação de 18 governadores que foram ao Palácio do Planalto. Mas se Temer queria em troca o apoio político dos governadores para avançar nas reformas, certamente não tinha como prioridade a presença do paraibano.

Dos 12 deputados federais, Ricardo não conta com nenhum dos votos. Luiz Couto (PT) vota contra Temer, em qualquer situação. Damião Feliciano (PDT), marido da vice-governadora Lígia Feliciano, vice-presidente nacional da legenda, é fiel ao governo, mas segue a orientação da sua legenda. Os outros 10 estão, por um ou outro motivo, na base de Temer.

No Senado Federal, Ricardo não tem o voto de nenhum dos três senadores - José Maranhão e Raimundo Lira (PMDB), e Cássio Cunha Lima (PSDB).

Temer, no toma-lá-dá-cá, quer usar a economia para a salvação política do seu mandato. E nessa perspectiva é difícil o Palácio do Planalto colocar a mesa para governadores sem controle de suas bancadas federais.