CBF, TVs e disrupção no modelo de negócios chamado futebol

Ninguém se assuste. Vamos falar de Poder. Mas do poder do futebol, a política dos cartolas e um novo modelo de comunicação como negócio.  Dentro do conceito de Disruption (“Disrupção” – termo que não existe em português, mas foi adaptado), que inclui mudanças bruscas no mundo empresarial, vamos ficar bem atentos porque, a partir desta sexta-feira (9), pode estar surgindo uma nova forma como produtos e serviços da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) passam a ser consumidos. A estrela da companhia, na verdade, carrega cinco estrelas no peito, bem acima do seu escudo: a Seleção Brasileira de Futebol.

Brasil e Argentina, às 7h05 (horário de Brasília), na Austrália, parece ser um simples amistoso daqueles caças níqueis. É melhor repensar essa ideia. Será a primeira vez que a CBF fará a transmissão de um jogo da seleção principal em multiplataformas. Do meu tempo de existência na Terra, também não lembro dela deixar de fora a Rede Globo de Televisão, especialmente numa partida contra os 'hermanos'.

Sim. Deve ter uma séria desanvença entre dirigentes da CBF e da Globo para que não fosse fechada a cota de transmissão da canarinha pela platinada. Mas estamos falando de um novo modelo de negócio. A disrupção na forma de se comunicar, proporcionada por esse estranhamento, que não nos interessa analisar aqui.

Aplicativos como Uber e AirBnb são apontados como disruptivos. Eles remodelaram o mercado. A Netflix e YouTube também.

A aposta da CBF é alta, não só para o amistoso contra a Argentina como o do dia 13, contra a Austrália.  O jogo terá o maior jogador de futebol de todos os tempos, o Rei Pelé, nos comentários. Além dele, o narrador Nivaldo Prieto, o pentacampeão Denílson e o ex-árbitro Rodrigo Cintra irão compor a equipe. A partida será produzida e distribuída pela própria CBF.

E não pensem que se trata apenas de uma birra com a Rede Globo. A CBF e a Agência Radioweb firmaram acordo operacional para transmitir ao vivo esses dois amistosos. As transmissões serão entre 6h50 e 9h, com 15 minutos de comentários antes e depois dos jogos, além do intervalo.

A transmissão será feita em dois canais. Um deles será exclusivo para Rádios AM e FM que se credenciaram ou que estão em fase de adesão. O outro link estará aberto aos internautas. O acesso para ambos será através do site da Radioweb.  Atá a tarde desta quinta-feira (8), já eram 229 emissoras credenciadas, que atingem aproximadamente 50 milhões de ouvintes em todo o Brasil. As rádios receberam spot de divulgação e chamadas para a transmissão.

De forma inédita e seguindo tendências do mercado internacional, a CBF fará a experiência de dividir por plataformas os direitos de transmissão destes próximos jogos da Seleção. Para a entidade, "é uma forma de democratizar ainda mais o alcance das transmissões dos jogos do Brasil, oferecendo ao torcedor novas alternativas para ver a Seleção Brasileira em campo".

A aposta é alta. A CBF fechou uma parceria com o Facebook e vai puder transmitir pela maior rede social do mundo. Há uns três anos o Facebook já havia batido a marca de 1 bilhão de inscritos. A maior audiência, em horário nobre, alcançado pela Globo, foi na novela Império, que chegou a 40 milhões de telespectadores. Uma diferença abismal.

Nestes dois jogos, todos poderão acompanhar pelas seguintes plataformas:

Pelos canais TV Brasil e TV Cultura (veja qual o canal na sua cidade), que contam com retransmissoras em todos os estados brasileiros em TV aberta e nas maiores operadoras de TV por assinatura;

Na CBF TV na web, nos portais UOL e UOL Esporte; e no aplicativo Vivo Futebol, disponível aos clientes da Vivo, um dos patrocinadores oficiais da Seleção.

E vai dar certo? Veremos. Segundo consta, a CBF vendeu as cotas de transmissão a TV Brasil e TV Cultura pela begatela de R$ 15 mil, cada amistoso. Certamente será feito. Um estudo de caso, nessa horizontalidade da comunicação esportiva. As emissoras devem tremer (e temer) pelo que vem pela frente.