Lira, líder de Temer, fica fora da disputa de governador



O senador paraibano Raimundo Lira foi escolhido, por aclamação, como novo  líder do governo Michel Temer no Senado Federal. Lira ocupa o lugar de Renan Calheiros, que entregou o cargo por não concordar com o modelo de gestão do atual presidente. O paraibano revelou que vem conversando com Temer, mas garantiu que trata-se de um diálogo institucional, a respeito de como Temer vem conduzindo o país e as perspectivas econômicas com a queda da inflação.







Lira disputou a vaga com 27 senadores. A exceção, o 28º da bancada, claro, foi Renan que havia renunciado a liderança. A bancada do PMDB, agora com Lira na liderança, terá uma árdua tarefa pela frente, já que o presidente vai precisar demonstrar força a partir do Senado para aprovar suas propostas de reformas mais imediatas. É o caso da reforma trabalhista, pautada para tramitar a partir da próxima semana. Tem ainda a previdenciária, que é olhada com desconfiança por parlamentares da base governista, inclusive dentro do PMDB.

A liderança é do Senado Federal, mas a ascendência sobre a Câmara Federal é inevitável para um articulador da base. O senador Raimundo Lira tem que apaziguar os conflitos no tapete azul e depois partir para o corpo-a-corpo no tapete verde da Câmara Federal, tendo o cuidado de não bicar com a liderança da bancada do seu partido entre os deputados. Tudo depende de seu desprendimento e jogo de cintura dentro da própria base que espera, sem dúvida alguma, a fidelidade do comandado ao comandante. Sem esse recado à tropa, fica difícil liderar e cobrar dos aliados.

Na nova missão, Lira pode sair-se com uma imagem muito boa no estado, caso Temer consiga reverter dificuldades e provar que suas reformas colocaram novamente o país nos trilhos, ou pode ser uma ducha de água fria nos projetos do senador para 2018. Dificilmente ele terá tempo para uma agenda de candidato a governador. Deve ficar mesmo onde está e tentar a reeleição ao Senado Federal. Mas também não será tarefa fácil se o barco de Temer afundar.  Lira, se pular fora nos primeiros sinais de naufrágio, pode ser acusado de traição. Se ficar e esperar a água ficar pelo pescoço, pode ser tarde demais para recuperar sua imagem perante o eleitorado paraibano.

[playlist tracklist="false" artists="false" ids="10690"]