O jardim dos girassóis

Um engenheiro civil, que nunca tinha disputado um mandato, se consagrou nas urnas. No primeiro turno, nas eleições de 7 de outubro do ano passado, conseguiu 1.119.758 votos e foi eleito sem dificuldades governador do Estado. João Azevedo Lins, de perfil técnico, absorveu o projeto político do PSB na Paraíba, que, nos últimos oito anos, recebeu a aprovação da maioria absoluta da população. É hoje o depositário fiel do socialismo que tem o ex-governador Ricardo Coutinho seu maior expoente, desde que semeou a ideia de um coletivo girassol.

Os maiores desafios de João Azevêdo, em boa parte, estão na seara política. Esse lado da moeda do poder, ele mesmo repetiu nos últimos dias, deve confiar às articulações de quem ele chamou, no discurso de transmissão de cargo, de "professor". O ex-governador Ricardo Coutinho não será a sobra da gestão de Azevêdo, mas tampouco ficará omisso. Essa dosagem entre os dois polos de poder é vai determinar a unidade dos projetos de ambos. Uma boa prova será a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. Não há qualquer empecilho para a eleição do deputado Adriano Galdino (PSB) como presidente do Legislativo estadual. A questão está no consenso em torno do nome para os dois últimos anos da próxima legislatura. Galdino goza da confiança de Coutinho e de Azevêdo, mas eles cobram a recíproca da base aliada confirmando um nome ungido de suas articulações.

Isso dá sinais de que em 2020, as conjunturas para as disputas municipais também podem levar em conta a formação da próxima mesa da Assembleia Legislativa. No projeto do grupo, a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) surge como forte opção de pré-candidatura à prefeita de Campina Grande. Numa eventual eleição de Lígia, automaticamente, a vice-governadoria seria o futuro presidente da Assembleia, que assumiria todas as vezes da ausência ou do impedimento constitucional do governador João Azevêdo.

O outro lado da moeda é a feição técnica da gestão. João Azevêdo não tem dificuldade alguma, já que sempre foi o secretário responsável direto pelos projetos, implantação, monitoramento e entrega das obras dos governos ricardistas. A gestão que se iniciou no dia 1 de janeiro de 2019 quer equilibrar essas convergências de projetos políticos e ações de uma administração com o carimbo socialista. Não há qualquer sinal, pelo mais rarefeito que seja, de conflitos entre o ex e o atual. O núcleo duro dos dois governos foi mantido, com o reforço de algumas peças de reposição em áreas estratégicas. João Azevêdo, para evitar qualquer dúvida sobre suas intenções, replantou os girassóis.