Palanque ‘lulista’com DEM e “golpistas”

Como fechar a chapa majoritária com um discurso de defesa a Lula, tendo no mesmo palanque lideranças nacionais do DEM e deputados que, quando no MDB, votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff? Esse é um dilema para a base governista, que apoia a pré-candidatura de João Azevedo (PSB) ao governo.

Esse dilema pode ser ampliado se a direção nacional do PSB, empolgada com a primeira pesquisa após a prisão de Lula, reforçar a pré-candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Como se sabe, os petistas torcem o nariz quando se fala em Barbosa. Quando ministro ele mandou para trás das grandes alguns petistas coroados no escândalo do Mensalão.

O PSB vê a chance de fazer o contraponto a Lula e ao PT. Na Paraíba, Ricardo é aliado de primeira hora do ex-presidente. Como não vai concorrer, pode até negar o apoio e o palanque a Joaquim Barbosa, mas isso não livrará a chapa liderada por João Azevedo dos disparos petistas.

O presidente estadual do PT, Jackson Macedo, propõe a exclusão de Veneziano Vital do Rêgo (PSB) da chapa majoritária. Vené, quando no MDB, era visto como "golpista" pelos petistas, que não querem nem ouvir falar dos deputados federais Hugo Motta (PRB), André Amaral (Pros) e, principalmente, Efraim Filho (DEM).

Dificilmente Ricardo e PSB abririam mão desses apoios. A linha dos discurso socialista fica distante dos aliados de Lula. O pragmatismo nesse momento vai falar mais alto. Esqueçam o alinhamento ideológico.