Para tudo por causa da Covid, menos as obras da Epitácio

Por 90 dias, pararam indústrias, fecharam comércio, proibiram caminhadas na praia e banho de mar, impediram funcionamento de academias, bares, restaurantes e visitações a pontos turísticos. Tudo isso (e muito mais) para incrementar o distanciamento social. O isolamento incluiu a recomendação de não formar aglomeração. Mais de duas pessoas, a menos de um metro de distância uma da outra, já era um perigo potencial para transmissão do coronavírus. Isso cientificamente provado, se é que a gente ainda pode dar crédito à Organização Mundial da Saúde. Mas tem uma atividade que não parou um dia sequer nesses três últimos meses: a de pedreiro da Prefeitura Municipal de João Pessoa, que bateu ponto na obra da requalificação das calças da Epitácio Pessoa.

Com máscaras, é verdade, mas trabalhando bem próximos um dos outros. Máquinas e homens não ficaram parados um dia sequer, independente do sentido da curva de transmissibilidade do coronavírus na Capital.

Certamente, uma obra de arte pública como essa não é essencial. Passou aos olhos dos órgãos de controle externo e dos magistrados, que sempre atuam em defesa da definição, debaixo de vara, do que pode e do que não funcionar. A nova calçada da Epitácio Pessoa ganhou a concepção prática de "essencial e ininterrupta".

É bom lembrar que gestores públicos não podem entregar obras do meio do ano pra frente, porque estaremos em período eleitoral. Mesmo sem puder ser candidato a um terceiro mandato consecutivo, Luciano Cartaxo, certamente quer entregar essa obra antes de passar a faixa para o sucessor. Segue o fio. Ou melhor, o novo meio fio da requalificada Epitácio Pessoa.

Essa foto aqui embaixo foi tirada ontem, em pleno feriado na Capital.