Paraibano é exonerado da Comunicação da Polícia Civil do DF após comentar estupro de menor

O paraibano Miguel Lucena, delegado da Polícia Civil, foi exonerado do cargo de diretor de comunicação da instituição, após ter feito comentários polêmicos em um grupo de WhatsApp da Comunicação da PCDF com jornalistas. Ao opinar sobre o caso da menina de 11 anos que foi estuprada pelo padrasto no Gama, Lucena afirmou que as “crianças estão pagando muito caro por esse rodízio de padrastos em casa”, sugerindo que a mulher é responsável pelos casos de estupro que ocorrem dentro de casa.

Miguel é paraibano de Princesa Isabel, jornalista e já foi diretor do Sindicato da categoria aqui na Paríba. Mudou-se para Brasília (DF), onde ingressou na Polícia Civil por concurso público. Ele é irmão do também jornalista Tião Lucena.



O comentário do delegado foi imediatamente questionado por jornalistas do grupo, que perguntaram se ele realmente achava que a culpa seria da mulher. “Depende. Se leva o primeiro que encontra no bar para dentro de casa, é”, escreveu Lucena. Ao ser rebatido, o delegado disse, ainda, que as pessoas são da “turma do politicamente correto, essa praga que assola o mundo”.

Ainda ao grupo, o delegado afirmou que os comentários se tratavam apenas de sua opinião pessoal, não representando a opinião da corporação. Após alguns minutos de discussão, Lucena e os membros da Comunicação deixaram o grupo.

Momentos depois, Lucena fez uma publicação em seu perfil pessoal no Facebook voltando a defender que “o constante rodízio de parceiros nos lares das periferias tem deixado as crianças expostas a toda sorte de abusos”.

“O mesmo vale para os homens que levam para dentro de casa a primeira mulher que conhecem no boteco. Tem gente que vive maritalmente com outro durante dois, três anos e não sabe o nome, só conhece o parceiro ou a parceira pelo apelido”, escreveu.

A exoneração deve ser publicada no Diário Oficial do DF nos próximos dias.