PB tem 55 crianças na fila de adoção

De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA) divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de crianças e adolescentes habilitados para a adoção em todo o Brasil (5.491) é menor do que o número de casais ou pessoas interessados em adotar (31.688). A estatística poderia representar a solução para muitas destas crianças que buscam uma nova família e lar, não fosse um detalhe: a maioria delas não possui o perfil buscado por grande parte dos adotantes.

Ainda segundo o CNA, o Estado da Paraíba é o 4º do Nordeste com pretendentes cadastrados e habilitados para adotar um filho(a). São 347 pessoas aptas, a maioria entre 41 e 50 anos – dado desproporcional ao número de crianças disponíveis para adoção no Estado: 55. Mesmo assim, 106 adoções foram realizadas no ano de 2013 e, 103, em 2011, conforme informações da 1ª Vara de Infância e Juventude da Capital.

Para o coordenador de Infância e Juventude do Poder Judiciário da Paraíba, juiz Adhailton Lacet, os candidatos à adoção tem preferência por crianças de 0 a 2 anos, idade que não corresponde à maioria das crianças acolhidas institucionalmente no Estado.

“As pessoas tendem a achar que é mais fácil educar uma criança que está nos primeiros anos de vida, do que uma que já possui 10, 12 ou 14 anos de idade, que já teria vícios comportamentais e mais dificuldades de se adaptar à nova morada”, explicou o magistrado Adhailton.

Ele acrescentou, também, que o Tribunal de Justiça da Paraíba, através da Coordenadoria de Infância e Juventude (Coinju), investe em cursos de adoção, com a finalidade de orientar os adotantes e mostrar que o gesto é um ato de supremo amor, e que as crianças, independente da idade, podem se adaptar à nova vida, através de carinho e amor.

A psicóloga do Setor de Adoção da 1ª Vara de Infância e Juventude da Capital paraibana, Maria Carolina Lopes Granja, informou que há 160 pessoas habilitadas apenas em João Pessoa, onde existem 44 crianças disponíveis. Ela conta que a maioria dos casais/pessoas prefere bebês, do sexo feminino, e que este perfil restrito é um aspecto que dificulta o processo.

“Não podemos induzir um casal que só quer um filho recém-nascido a adotar uma criança de 10 anos, porque existem grandes chances de dar errado, tanto para a criança quanto para a família”, ressaltou.

A psicóloga falou também sobre a necessidade de mais campanhas informativas, que abordem junto à população, que não há uma idade mais oportuna para se adotar. “Não se utiliza mais o termo 'adoção tardia', pois é uma expressão que parte do pressuposto de que haveria uma idade certa para adotar e não concordamos com esta lógica. O que tem que estar mais evidente é o desejo real de ser pai ou mãe”, opinou.

Procedimento – Os interessados em se cadastrar para adoção, devem procurar a Vara da Infância e Juventude da comarca, onde efetuará a inscrição, realizará um processo de habilitação e ficará na fila de espera, no Cadastro Nacional de Adoção, que é alimentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Quando aparece uma criança no perfil desejado pelo casal/pessoal cadastrada, é iniciado o estágio de convivência, que começa com visitas dos futuros pais aos abrigos, depois visitas domiciliares das crianças nos finais de semana, com acompanhamento psicossocial da Infância e Juventude, nesta fase de adaptação. “Quando detectamos algo que não é positivo no processo, podemos intervir, pedindo o encerramento daquele estágio, assim como a criança e a família também podem, se assim desejarem”, pontuou Carolina.