Pesquisa aponta CG com maior taxa de contaminação



Em entrevista coletiva na noite desta quinta-feira (02), o Ministério da Saúde divulgou os resultados do Epicovid19-BR, o maior estudo epidemiológico do país sobre o coronavírus.  Dividida em três fases, com início em maio, a pesquisa analisou 89.397 pessoas de todas as regiões do país e foi conduzida pela Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Entre os resultados, pesquisadores levantaram que dentre as pessoas que participaram do estudo, 91% apresentaram sintomas e 9% eram assintomáticas. O coordenador do estudo epidemiológico, Pedro Hallal, destaca que o alto percentual de pessoas sintomáticas não significa que todas vão precisar de atendimento médico. O estudo da Universidade Federal de Pelotas apontou também a estimativa da letalidade da infecção por coronavírus. Os resultados mostram taxa de letalidade de 1,15%, o que significa que a cada 100 pessoas infectadas pelo vírus, uma vai a óbito.

O coordenador da pesquisa, Pedro Hallal, explica que a taxa pode variar, mas que pode ser considerado um número sólido. A pesquisa levantou informações sobre distanciamento social. Da primeira fase até a última, no final de junho, o percentual de pessoas que saem de casa diariamente subiu de 20% para 26%.

O estudo mostrou ainda que os 20% mais pobres da população brasileira tem o dobro da infecção do que os 20% mais ricos da população.

A coleta de dados foi feita por profissionais do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) nos domicílios de 133 cidades espalhadas por todos os estados do Brasil. Houve três fases de coleta de dados: a primeira fase ocorreu de 14 a 21 de maio, totalizando 25.025 (75,2%) entrevistas e testes; a segunda, entre os dias 04 e 07 de junho, com o total de 31.165 (93,7%) entrevistas e testes; e a terceira, entre os dias 21 e 24 de junho, totalizando 33.207 (99,9%) entrevistas e testes.

O estudo traz dados de 133 cidades brasileiras, espalhadas pelo território nacional. Embora não tenha o retrato do país, mostra áreas em suas diferentes etapas de enfrentamento ao Covid-19. A média é de 3,8% de infecção nesta última etapa, mas as taxas variam de Zero a 20% entre as cidades analisadas, reforçando a necessidade de respostas diferenciadas para cada município no país.



Na Paraíba, a pesquisa entrevistou moradores de Sousa, Campina Grande, João Pessoa e Patos.

Na primeira fase, dos entrevistados em Sousa a prevalência foi de 0,0%; na segunda fase 0,9%; e na terceira fase de 0,0%.


Em Campina Grande, na primeira fase, a prevalência foi de 0,0%; na segunda fase de 6,6%; e na terceira fase, de 1,4%.


Em João Pessoa, na primeira fase 0,0%; na segunda fase, de 6,1%; e na terceira fase de 2,8%.


Em Patos, na primeira fase, 0,0%; na segunda fase 1,4%; e na terceira fase 4,2%.




Para a realização do inquérito, o Governo Federal disponibilizou 150 mil testes rápidos que detectam a presença de anticorpos IgM (de infecção mais recente) e IgG (de infecção mais antiga) para o coronavírus, a partir de amostras de sangue. A pesquisa entrevistou e testou 89.397 pessoas em todas as regiões do país durante os meses de maio de junho de 2020.

De modo geral, a diferença entre o número de pessoas infectadas é seis vezes maior do o número de casos notificados. Trata-se de algo esperado, quando a maior parcela dos casos é leve ou assintomática, o que deve ser ainda confrontado com outros estudos disponíveis visto que outras estimativas apontaram um número maior para essa chamada subnotificação.

Da mesma forma, a taxa de mortalidade do estudo está próxima de 1%. O valor é 75% menor do que obtemos com a notificação oficial, que chega a mais de 4%, mas acima de taxas apontadas em outras literaturas científicas.