Serviço geológico aponta riscos em 40 cidades da PB

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) identificou áreas com potencial ou histórico de ocorrência de desastres em 40 municípios da Paraíba, a exemplo de deslizamentos de terra, inundações, enxurradas, processos erosivos e queda de rochas. O CPRM encerrou o primeiro semestre de 2020 com um balanço positivo em relação à publicação de cartas de risco geológico. Nos primeiros seis meses, foram publicados os mapeamentos de 45 cidades de 17 estados, onde foram identificadas cerca de 298.185 pessoas vivendo em áreas de risco. Ao todo, de 2012 até este ano, a CPRM já mapeou 1.605 municípios.

Os trabalhos publicados no primeiro semestre têm 1.133 setores de risco nos quais estão incluídas aproximadamente 74.791 moradias. Coordenador-executivo da Setorização de Risco Geológico da CPRM, o geólogo Julio Cesar Lana explica que as cartas são documentos cartográficos que constituem uma importante ferramenta para auxiliar os órgãos públicos na adoção de medidas de prevenção de desastres. Todas as informações sobre o trabalho são públicas e estão disponíveis no site da CPRM, bem como são enviadas aos gestores municipais e estaduais das áreas estudadas. Além disso, todos os dados também ser consultados por qualquer cidadão no mapa on-line onde é possível visualizar as áreas com riscos em todo o Brasil.

Os mapeamentos publicados em 2020 contemplaram municípios dos estados Paraíba, Ceará, Pará, Paraná, Acre, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia, Sergipe, São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pernambuco.

De acordo com os números relacionados à setorização de risco, mais de 3,9 milhões de pessoas vivem em risco entre os municípios mapeados, em mais de 954 mil moradias. Os estudos da CPRM apontam um total de 14.443 setores de risco e 194 municípios sem risco identificado. Em relação a estes dados, o geólogo Julio Lana faz uma avaliação do tipo de risco mais comum classificado entre as áreas setorizadas.

“Considerando os municípios mapeados pela CPRM até o momento, aproximadamente 49% das áreas de risco estão relacionadas a deslizamentos e 34% a enchentes e inundações. Dessa forma, cerca de 83% das áreas de risco mapeadas até o momento estão relacionadas a deslizamentos ou inundações, o que comprova a grande relação desses processos com as áreas de risco no Brasil”, esclareceu o coordenador.

Nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, predominam as áreas de risco associadas a deslizamentos e inundações. Nos municípios litorâneos também é comum a ocorrência de áreas de risco relacionadas a processos de erosão costeira/marinha. Já na região Centro Oeste, predominam as inundações e os processos erosivos do tipo ravina e voçoroca.