Apagando fogo com gasolina

Uma semana com o país parado e as redes sociais invadidas por ataques entre os que defendem os que saíram e os que apoiam os que ficaram no governo. A culpa é de quem, por essa situação em que se encontra o país? Certamente não é de Lula, de Dilma e nem de Temer. Eles dividem num mesmo patamar essas responsabilidades. A culpa é da classe política brasileira e sua dantesca incompetência de gerir a coisa pública sem cair na tentação de levar vantagem em tudo.

É a Lei de Gerson que funciona no lugar errado e na hora mais inconveniente possível. Esquerda, centro e direta são incompetentes a tal ponto de aprovar goela abaixo, para galera ver, um projeto que acaba com Pis e Confis dos combustíveis. Dois impostos que subsidiam programas sociais, que atendem classes menos favorecidas. Aprovaram sem sequer ter cálculos sobre o tamanho no rombo da arrecadação que tal proposta irá proporcionar.

Os caminhoneiros conseguiram o que queriam. Terão redução no preço do óleo diesel até o final do mandato do atual presidente. Fica um rombo para o próprio governo subsidiar, se quiser manter equilibradas as contas da Petrobras. De onde vai sair tanto dinheiro para bancar essa diferença de preço? Do contribuinte, ora bolas. Do dona Maria que tem que comprar gás de cozinha mais caro, indexado ao reajuste do preço do  dólar. Seu João também não escapa. Vai pagar mais caro pelo tanque de gasolina (ou de etanol) que terá que encher todas as vezes que for ao trabalho.

O diesel subsidiado vai baratear os passeios de ricos carros importados, que desfilam pelas ruas brasileiras queimando esse combustível fóssil. É certo que o mesmo subsídio bancará a redução no abastecimento das frotas de ônibus, mas certamente os empresários vão provar com planilhas que sem repassar os prejuízos dessas negociações para os usuários, o governo não estará ajudando em nada a classe.

Aí, quem quebrou a Petrobras com a roubalheira ditada por aparelhamento ideológico jamais visto nesse Brasil, fica de birra com que não tem pulso e não sabe gerir a estatal sem ir atrás do lucro a todo custo, na base do sacrifício da classe média. A grande massa brasileira foi solenemente ignorada. A política de reajustes para a gasolina e o etanol não muda em nada. Tudo de bom para os donos de postos e grandes empresas de logísticas de cargas, que na penumbra das negociações, apostavam numa solução como essa.

E a classe política vai continuar a desfilar garbosamente seus discursos ideologicamente bem traçados, interessada apenas na faixa do seu eleitorado. O Congresso Nacional vai se calar diante dessa solução dada pelo governo, refém dos caminhoneiros: apagar fogo com gasolina.