Eterna Lena

Quando uma jornalista do tamanho de Lena Guimarães morre, toda a Paraíba perde. É difícil numa hora dessas expressar tudo que sinto. Era amiga, parceira, companheira de grandes projetos e dividia comigo os estúdios da TV Correio, às terças-feiras, com seus comentários inteligentes sobre a cena política.

Lena Guimarães se reinventou, mostrando a muitos da geração Y que ela estava além da convenções modernas e era uma influenciadora digital nata. Sim, porque tudo que falava, comentava e noticiava era replicado pelas rede sociais.

Para alguns, ela poderia parecer uma pessoa com um certo tom de arrogância. Nada disso. Lena era compreensiva, ética, honesta, leal e fiel ao seu projeto profissional e ao seu projeto de vida.

Vou tê-la sempre como uma referência da minha vida profissional e pessoal. Quando cheguei ao Jornal Correio da Paraíba, já tinha sido experimentado em outras redações, mas estava me deixando fascinar pela cobertura da editoria de Política. Foi Lena que me deu a oportunidade de ser repórter setorial e, em seguida, me guindar para responder por uma coluna na página de Política do impresso.

Passei um tempo fora do Correio. Quando voltei, nos encontramos novamente, ela agora como a mais brilhante colunista do Estado, e eu pegando pelas rédeas o desafio de ser editor do Portal Correio e apresentador de dois programas da RCTV (canal por assinatura do Sistema Correio). Logo ela estava me dando a honra de estar ao meu lado, na bancada do Rede Debate, às segundas-feiras, num provocador programa televisivo de duas horas de duração, que mexia com as redes sociais e deixava na poeira a concorrência do horário.

Lena veio comigo para os comentários no Correio Debate TV e eu sentia que sua presença emprestava ainda mais a credibilidade que a gente tanto buscava.

Poderia dizer que a gente trabalhava por música. Às vezes, incrédula com o improviso, se tranquilizava quando a gente começava o programa e eu a conduzia para os comentários que ela tinha pensado. Ela olha olhava para mim e, nos intervalos, me questionava como sabia do que ela estava pensando. Era simples. Eu tinha total confiança nela. E ela sabia que poderia confiar em mim.

Já chorei demais. Um choro de saudade e de lembranças das coisas boas que nós compartilhamos juntos neste plano. Essa dor, ao poucos, vai passar, mas sei que será eterna minha gratidão por tudo que você me ensinou, me mostrou e me corrigiu.

Amiga que se guarda do lado esquerdo do peito, dentro do coração, um beijo na sua alma. Siga seu caminho. De onde você estiver, saiba que estarei sempre se inspirando nos seus exemplos.

Até um dia, Eterna Lena!