Já tem ‘brasas’ na pré-campanha de JP

A pré-campanha na disputa pela prefeitura do maior colégio eleitoral do Estado já começa esquentar antes das fogueiras juninas. E essa temperatura subiu com duas confirmações: a primeira foi a disposição do ex-senador Cícero Lucena em disputar um terceiro mandato; a segunda foi a saída de Nilvan Ferreira (MDB) do comando da apresentação de programas de rádio e de televisão. O atual prefeito Luciano Cartaxo (PV) também vai contribuir para soprar brasas, quando bater o martelo sobre o nome que vai seguir na disputa para representar o seu modelo de gestão. A pré-campanha tem outras vertentes que podem ser acompanhadas nessas movimentações. Uma delas é saber até onde vai a ameaça do deputado federal Julian lemos (PSL) em entrar na disputa, assim como faz o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) em sinalizar que ele mesmo pode concorrer ou lançar a sua esposa, Amanda Rodrigues, como sua representante no pleito deste ano.

O PSDB tem o nome do deputado federal Rui Carneiro definido como pré-candidato. O governador João Azevêdo ainda não se envolveu diretamente nas articulações e desvia-se das especulações, alegando que está preocupado apenas no enfrentamento da Covid 19. O Solidariedade, do atual vice-prefeito Manoel Júnior, ensaia o nome do vereador João Almeida. O PT desgarrou-se do PSB e lanou esta semana a pré-candidatura do suplente do deputado estadual Anísio Maia.

Assim vai se formando esse tabuleiro.

Pelo início desse processo, o nome que vai ser mais atacado (enquanto Ricardo Coutinho não entra na disputa) é o do ex-senador Cícero Lucena. Os adversários sabem do potencial eleitoral de Cícero e vão questionar sua condição de elegibilidade. A defesa do ex-senador, por meio do advogado Walter Agra, disse ao Portal Correio, que as duas ações penais que tramitavam contra o ex-senador, que foi absolvido, transitaram em julgado em 12 de junho deste ano. Walter Agra afirmou, em primeira mão a jornalista Sony Lacerda,  que a tese de que o político estaria inelegível é inverídica.

Em decisão este mês, o Tribunal de Contas da União (TCU) negou recurso de reconsideração impetrado pelo ex-senador, o que colocaria Cícero na lista de possíveis inelegíveis. O Tribunal alegou que a ação penal contra Cícero não teria transitado em julgado.

Ainda segundo o advogado, será provado que Cícero está absolvido pela Operação Confraria e pela ação do convênio para obras da calçadinha da Orla da Capital, em duas sentenças e acórdãos do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com trânsito em julgado.  De acordo com Walter Agra, assim que a defesa for intimada, serão apresentados os embargos declaratórios, e esses recursos  teriam efeitos suspensivos.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que políticos com contas rejeitadas pelo TCU sejam tornados inelegíveis para as eleições deste ano. Cícero já demonstrou interesse em disputar o cargo de prefeito de João Pessoa nas eleições deste ano.

Com essa confirmação de que Cícero é elegível, as peças podem se movimentar outra vez. Ainda não há clareza de quem pode se compor lá na frente, até mesmo saindo do páreo. Mas é um bom começo para assistir essa fogueira pegar de vez.