Ricardo é governo e João governador









“Eu quero ter uma conversa muito franca com o meu povo. Não deixe todo esse trabalho parar. Parar agora, significa andar pra trás. É perder praticamente tudo que já foi feito. “




“Não podemos querer novamente o atraso, e a vez é do novo. Nessa eleição não é difícil de escolher. Tem de um lado a candidatura do vazio e do nada, do outro lado tem um que já cansou de governar. A vez, a voz e o momento é de João. Ele está preparado para governar, saber o que fazer, conhece os desafios, dificuldades e possibilidades desse Estado. Votar em João é garantia de continuidade desse projeto”.












Essas duas frases poderiam, perfeitamente, ser do ex-governador Ricardo Coutinho ou de algum outro socialista em 2016, em plena campanha para eleger o sucessor, João Azevedo.


A frase do primeiro parágrafo, porém, é do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, que se considerava um democrata e pedia no programa eleitoral de TV que votassem em Celso Pitta, seu ex-secretário e homem de confiança. A eleição disputada por Pitta era a Prefeitura de São Paulo, em 1996, contra a paraibana Luiza Erundina, na época no PT.




No segundo parágrafo, a frase, sim, é de Ricardo Coutinho, durante a Girassoca, na quarta-feira antes do primeiro turno das eleições de governador do Estado. Maluf e Coutinho conseguiram seus intentos. Elegeram sem dificuldades os respectivos sucessores. Ambos se consideram democratas.




Maluf ainda disse mais. Pediu que aos eleitores que não votassem mais nele, se Pitta não fizesse um bom governo. O prefeito paulista sofreu dois processos de impeachment, foi arrastando para um mar de escândalos e nunca mais se elegeu a coisa nenhuma.




Ricardo rompeu com João, antes de seis meses do mandato de governador, por pragmatismo político e maquiavelismo estratégico.  Pragmatismo político porque ele sabe o que viria pela frente para o governador se desvencilhar, a começar pela reforma da Previdência dos servidores estaduais, assunto indigesto para qualquer gestor, mas sem qualquer saída opcional para equilibrar as contas paraibanas. Estrategicamente, Ricardo forçou o rompimento, até que ele não tivesse mais respostas do governador e fosse a um canal de TV onde se sente à vontade para atacar o sucessor, seu super-secretário, como se a partir dali fosse seu inimigo. Não adversário político, mas inimigo.




Tentar agora dizer que João Azevêdo traiu o povo é desculpa esfarrapada. Se houve traição foi do PSB. Foi o partido e pela escolha pessoal de Ricardo, que o engenheiro João Azevêdo foi ungido candidato a governador. Este projeto é o projeto do PSB paraibano, não há como se livrar dessa marca laranja. É a patente socialista de gestão pública, chancelada por Ricardo Coutinho, Gervásio Filho, Estela Bezerra e Cida Ramos. Pedir desculpa ao povo paraibano ou dizer que o governador traiu as diretrizes socialista não vale. Todas essas lideranças Políticas estão no polo passivo desse governo. Tanto é assim, que Ricardo foi pra internet dizer que seu governo só termina em 2020, com as obras que deixou para o atual governador continuar, som se João tivesse que para-las e começassem outras do zero. Ricardo é governo e o governador é João. Como vaticinou o ex-governador: "João é a garantia da continuidade desse projeto".