36% das paraibanas se disseram vítimas da violência domésticas antes dos 20 anos de idade
27 de agosto de 2026
Redação

O recorte estadual anterior do DataSenado já apontava a dimensão do problema. Na pesquisa referente a 2023, 27% das paraibanas disseram já ter sofrido violência doméstica ou familiar praticada por um homem. Entre essas mulheres, 20% informaram que algum episódio havia ocorrido nos 12 meses anteriores ao levantamento.

Entre as paraibanas que declararam ter sido vítimas, 87% relataram violência psicológica, 77% violência moral e 75% violência física. Além disso, 36% disseram que a primeira agressão ocorreu quando tinham até 19 anos de idade.

O mesmo estudo mostrou que 80% das paraibanas percebiam aumento da violência doméstica e 67% consideravam o Brasil um país muito machista. Ao mesmo tempo, 69% afirmavam conhecer pouco sobre a Lei Maria da Penha e 73% diziam conhecer pouco sobre medidas protetivas.

Esse conjunto de informações ajuda a explicar o fenômeno revelado agora pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero: entre a agressão sofrida, o reconhecimento da violência e a chegada da vítima ao sistema policial existe um enorme espaço de invisibilidade.

A atualização do Mapa ocorre justamente no mês do Agosto Lilás e no ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Para o Senado Federal, o detalhamento dos indicadores por unidade da Federação permite identificar diferenças regionais e orientar políticas públicas de prevenção, proteção e acolhimento.

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O Mapa Nacional da Violência de Gênero reúne informações provenientes de diferentes bases públicas, entre elas dados de saúde, Justiça e segurança pública, além da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher. A proposta é justamente aproximar duas realidades que ainda permanecem distantes: a violência registrada pelo Estado e aquela que milhões de mulheres vivem sem denunciar — e, muitas vezes, sem sequer reconhecer que estão sendo vítimas.

Canais de denúncia e proteção: em situações de violência contra a mulher, o Ligue 180 funciona como Central de Atendimento à Mulher; situações de emergência devem ser comunicadas à Polícia Militar pelo 190. Na Paraíba, denúncias também podem ser encaminhadas à Polícia Civil pelo 197.

Há uma diferença importante entre as bases: o Anuário do Fórum contabilizou 36 feminicídios na Paraíba em 2025, enquanto uma publicação do TJPB, baseada em dados do Sinesp disponíveis naquele momento, mencionou 37. Para evitar misturar séries com datas de consolidação diferentes, usei no texto os 36 casos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, cuja base permite a comparação direta com 2024.

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