80,9% das marca declararam que nada vai mudar no período eleitoral

Em um ano onde ocorrem as eleições presidenciais no Brasil, e dentro de um cenário no qual esse assunto nunca esteve tão quente, dividindo tantas opiniões, entre as principais pautas está a questão do papel das empresas e dos influenciadores quando o assunto é se posicionar publicamente. Para discutir a respeito disso, a YOUPIX, consultoria de negócios para Creator Economy, realizou, o YOUPIX Talks, em seu canal no YouTube. O tema debatido foi “Eleições e Influência”.

Para embasar a conversa, a Rafa Lotto, Head de Planejamento e Sócia da YOUPIX, apresentou uma pesquisa realizada pela consultoria feita com a participação de mais de 400 pessoas que estão inseridas no universo de creators e marcas, que responderam de forma anônima. A pesquisa revelou dados interessantes, como: 77,3% das marcas afirmam que o posicionamento do creator afeta na contratação para ações, em contrapartida 86,7% dos creators afirmam pesquisar o posicionamento da marca antes de fechar um trabalho e 37,6% deles não fecham com marcas com posicionamentos que não aprovam.

"Em 2018, nós já vimos que os influenciadores estavam com medo de serem cancelados, apesar da cobrança da audiência e das suas comunidades por posicionamento. Muita gente ficou em cima do muro, e a gente já vê que, de lá pra cá, muita coisa mudou", afirma Rafa. Mesmo sem indicar sua intenção de voto na urna, os influenciadores se preocupam em perderem jobs, seguidores e sofrer um cancelamento por conta do seu posicionamento político, ao mesmo tempo que sofrem pressão do público e de colegas para demonstrar apoio a temas, como: feminismo, cuidados com o meio ambiente, diversidade, causas de minorias entre outros tópicos políticos da sociedade.

Os resultados da pesquisa indicam que 80,9% das marcas participantes declararam que nada vai mudar durante o período eleitoral. Mas é possível observar um movimento de retração de uma parcela correspondente a ⅕ das marcas, que admitiram que irão diminuir ou pausar campanhas de influência no decorrer das eleições.

“A gente sabe que esses assuntos se tornam pautas para marcas em momentos como o mês do Orgulho LGBTQIAP+ ou o mês da Consciência Negra. Essas pautas são políticas, apesar de muitas marcas acharem que não”, reforça a Head de Planejamento. Esses temas fora do período eleitoral, são levantados normalmente pelas marcas e pelos criadores de conteúdo, e já indicam um posicionamento político, o que não obrigatoriamente vai indicar um posicionamento partidário.

O YOUPIX Talks recebeu ainda convidadas de peso para uma mesa com mediação de Ju Wallauer (podcast Mamilos) e participação de Dandara Pagu (creator), Ana Freitas (cofundadora da Quid.) e Fátima Pissarra (CEO da Music2/Mynd), para discutir os dados apresentados e a forma como empresas e influenciadores têm se envolvido em assuntos relacionados à cena política nacional.

“Os influenciadores têm um papel muito importante para passar isso (referente ao posicionamento político). No Brasil, existe a cultura de não se posicionar politicamente, e depois todo mundo acha ruim que não foi pra rua brigar [...] é uma coisa que temos que mudar culturalmente”, iniciou, Fátima Pissarra. Além da necessidade de mudar culturalmente a forma como o posicionamento é visto, como aponta Fátima, a pesquisa ainda mostra que muitos influenciadores não veem pautas como “inclusão e igualdade” como algo político.

Reforçando esse discurso, a Dandara Pagu, criadora de conteúdo com mais de 178 mil seguidores só no Instagram, afirma: "Quem fica calado já está se posicionando em alguma coisa”. A mediadora da conversa, Ju Wallauer, defendeu: "A vida é complexa e, se você fugir da complexidade, cria um risco real de ficar irrelevante e uma hora morrer".

À medida que se aproximam as eleições, criadores de conteúdo que já expressaram sua opinião política publicamente têm encontrado dificuldades para fechar jobs, uma vez que as empresas preferem não se posicionar. Ana Freitas comenta: “As marcas querem ‘pegar emprestado’ dos influenciadores a credibilidade, e essa atração que os influenciadores trazem quando defendem pautas identitárias, que são de grupos minorizados, falando contra coisas como racismo, machismo, LGBTfobia. Por isso, as marcas vivem recrutando influenciadores para trazerem a legitimidade que só eles têm para conseguirem se posicionar nesses assuntos e conquistar os públicos [...] Só que, quando o influenciador se posiciona politicamente, não pode [...] e a marca fala ‘eu te apoio, mas até a página dois'''. Ana Freitas integrou o time da Quid.id, organização responsável pela campanha "Olha o Barulhinho", que incentivou adolescentes a tirarem seu título de eleitor.

Defendendo a ideia de que a política está além dos partidos, Dandara Pagu, argumenta: "Política está em tudo o que você faz. Se conseguíssemos ver a ideia de passar a política de um jeito mais leve, talvez ela seria absorvida de uma melhor forma e ao invés de regredir da maneira que nós regredimos, poderíamos estar mais à frente. Meu sonho é que a política seja ensinada na escola.”

Rafa Lotto, encerrou a conversa com um recado para creators e marcas: "Se você vai ou não se posicionar, se você sente ou não se sente confortável para isso, é claro, é uma decisão sua. O que eu torço e incentivo é que cada creator tenha pelo menos um compromisso nesse cenário que é: não compartilhar e se possível ajudar sempre a desmascarar fake news. Ainda que você não se posicione, essa é uma contribuição bastante importante que vocês podem dar.” E para marcas ela fala, “Ainda que avaliando todos os riscos, não há um cenário 100% seguro, se manter isento também envolve risco”. E para finalizar o YOUPIX Talks, Rafa pede: “Comemorem a democracia, votando!".

A conversa que durou 1 hora e levantou questões sobre o papel das empresas e dos influenciadores dentro do cenário político brasileiro atual, está disponível no YouTube da YOUPIX, e você pode assistir por este link. E a pesquisa completa pode ser acessada no link.