94 anos do voto feminino e mulheres seguem minoria na política brasileira: por quê?
27 de fevereiro de 2026
Redação

No dia 24 de fevereiro de 2026, o Brasil celebra 94 anos da conquista do voto feminino. Mas, quase um século depois, a democracia brasileira ainda convive com um paradoxo: mulheres são maioria da população e do eleitorado, mas ocupam apenas 18,4% das cadeiras na Câmara dos Deputados, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

O contraste internacional chama atenção. Países latino-americanos como Argentina (39%) e México (49%), de acordo com a ONU Mulheres, já avançaram de forma muito mais consistente na representatividade feminina em seus parlamentos.

Por que o Brasil ficou para trás?

A professora Fernanda Vaucher, advogada e docente do curso de Direito da UNIASSELVI, aponta que o problema vai além da legislação. Apesar das cotas de gênero vigentes desde 1995, muitas candidaturas femininas ainda são lançadas apenas para cumprir exigências formais, sem estrutura, financiamento ou apoio político proporcional. Dados do TSE mostram que mulheres recebem, em média, menos recursos de campanha e menor tempo de exposição, o que impacta diretamente sua competitividade.

Há ainda barreiras estruturais que extrapolam o sistema eleitoral: a sobrecarga histórica de trabalho doméstico e de cuidado, além da violência política de gênero — que inclui assédio, ataques e desinformação — afastam mulheres do debate público e limitam sua permanência nos espaços de poder.

Mais do que uma pauta de gênero, trata-se de qualidade democrática. Estudos da ONU Mulheres indicam que parlamentares tendem a priorizar políticas de educação, saúde, enfrentamento à violência e equidade social — agendas diretamente ligadas ao desenvolvimento do país.

Aos 94 anos do voto feminino, o Brasil pode comemorar a conquista histórica, mas também precisa encarar a pergunta inevitável: por que ainda não garantimos às mulheres participação proporcional no poder?

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