A cooperação entre países, a estabilidade institucional e o planejamento de longo prazo foram apontados como pilares para garantir a segurança energética diante dos desafios da transição para uma economia de baixo carbono. A avaliação foi feita pelo diretor Financeiro Executivo da Itaipu Binacional, André Pepitone, durante sua participação no painel de abertura do EVEx – Energy Virtual Experience Brasil 2026 , realizado nesta terça-feira (1º), no Paço dos Leões, em João Pessoa.

Com o tema ” Pulsar Ibero-Americano: Segurança e Independência Energética na Nova Era da Transição” , o debate reuniu lideranças do setor elétrico brasileiro e internacional, entre elas Alexandre Fernandes, presidente da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), de Portugal; Alexandre Ramos, presidente da CEMIG; e Gerusa Côrtes, diretora de Operação de Mercado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A mediação foi conduzida por Maria João Rolim, embaixadora do EVEx.
Ao abrir sua participação, André Pepitone ressaltou o significado pessoal de retornar à Paraíba para discutir os rumos da energia em um encontro internacional.
“Estar hoje em João Pessoa tem, para mim, um significado que vai muito além da participação em mais um evento de energia. Estou na Paraíba, terra da minha família, das minhas referências afetivas e de parte importante da minha identidade. Voltar para discutir o futuro da energia aqui tem um significado muito especial”, afirmou.
O executivo também destacou que acompanhou desde o início, ao lado do fundador do EVEx, Caio Cavalcante, a construção do projeto de trazer o evento para João Pessoa. Segundo ele, a escolha da capital paraibana reflete o protagonismo que o Nordeste vem assumindo na agenda energética mundial.
“Compartilhamos a convicção de que a Paraíba reúne todas as condições para sediar um evento internacional dessa grandeza, pela qualidade de sua infraestrutura, pela força de suas instituições e, principalmente, pelo protagonismo que o Nordeste brasileiro vem assumindo na transição energética. Hoje, ao ver este auditório reunindo autoridades, empresários, reguladores e especialistas de diversos países, tenho a alegria de ver esse sonho concretizado”.
Durante o painel, André Pepitone fez um paralelo entre sua trajetória à frente da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), onde enfrentou momentos como a pandemia da covid -19, a crise hídrica de 2021 e o apagão do Amapá, sua experiência na presidência da Associação Ibero-Americana de Entidades Reguladoras de Energia (ARIAE) e o atual trabalho na Itaipu Binacional.
Segundo ele, essas experiências evidenciaram que os principais desafios do setor ultrapassam fronteiras nacionais.
“Aprendi que, independentemente das diferenças entre os países, os desafios são essencialmente os mesmos: garantir segurança energética, promover uma transição sustentável, atrair investimentos e preservar a modicidade tarifária. Nenhum país enfrenta sozinho os desafios da transição energética”.
Para o diretor da Itaipu, a previsibilidade das regras e a cooperação entre agentes e governos são pilares mais estratégicos do que a tecnologia isolada para assegurar a estabilidade do setor.
“Segurança energética não depende somente de infraestrutura ou de tecnologia. Ela depende de confiança. Confiança nas instituições, na estabilidade das regras e na capacidade de cooperação entre os países. Cooperação, previsibilidade regulatória e planejamento continuam sendo os principais alicerces da segurança energética”.
André Pepitone destacou ainda que a própria Itaipu representa um exemplo concreto dessa integração internacional. Há mais de cinco décadas, Brasil e Paraguai mantêm uma parceria que demonstra como a cooperação pode gerar desenvolvimento, estabilidade e segurança para ambos os países.
“A maior contribuição da Itaipu talvez não seja apenas a energia que produz, mas o exemplo que representa. É a demonstração concreta de que confiança entre nações, estabilidade institucional e visão de longo prazo podem transformar cooperação em desenvolvimento e integração em prosperidade compartilhada”.
Nova fase da Itaipu
Ao longo do debate, o diretor também apresentou iniciativas que marcam o novo ciclo vivido pela Itaipu após a quitação da dívida de construção da usina, concluída em fevereiro de 2023.
Segundo ele, a empresa passa a direcionar esforços para novos investimentos voltados à inovação e à diversificação da matriz energética. Entre os projetos em desenvolvimento estão estudos para ampliação da capacidade instalada da usina, iniciativas na produção de biometano por meio do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) e uma planta-piloto de geração solar flutuante associada a sistemas de armazenamento em baterias.
André Pepitone também destacou que a energia produzida por Itaipu passou a beneficiar ainda mais os consumidores brasileiros. “Hoje, Itaipu é produtora de energia limpa, renovável e uma das fontes mais competitivas do portfólio das distribuidoras brasileiras, contribuindo diretamente para a modicidade tarifária”.
EVEx reúne lideranças internacionais em João Pessoa
Realizado nos dias 1º e 2 de julho, o EVEx Brasil 2026 reúne autoridades, reguladores, empresas e especialistas do Brasil, Portugal, Espanha, Chile e outros países ibero-americanos para discutir os principais desafios da transição energética, inovação, segurança do sistema elétrico e integração entre mercados.
Na abertura do encontro, o CEO e fundador do EVEx, Caio Cavalcante, destacou que trazer o evento para João Pessoa representa o reconhecimento do protagonismo que a Paraíba e o Nordeste conquistaram na nova economia da energia. O executivo também agradeceu publicamente o apoio de André Pepitone para que a edição brasileira fosse realizada na capital paraibana.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.