O avanço tecnológico redefine, a cada década, a forma como indivíduos, instituições e sociedades se comunicam. Se na era da Comunicação 1.0 predominava a lógica unidirecional, centrada no emissor, hoje nos aproximamos de um cenário em que a relação entre humanos e máquinas deixa de ser apenas instrumental para se tornar colaborativa. Esse é o espírito da Comunicação Pública 5.0: uma comunicação que incorpora a inteligência artificial (IA) não como um fim em si mesma, mas como meio para ampliar a transparência, fortalecer o controle social e consolidar a cidadania.
O conceito “5.0” remete ao paradigma da Sociedade 5.0, formulado no Japão como uma evolução da Indústria 4.0. Nesse modelo, a tecnologia deixa de ser apenas motor econômico e passa a ter como foco central, o ser humano. Aplicada à comunicação pública, essa perspectiva nos convida a refletir: de que adianta a sofisticação tecnológica se não estiver a serviço do interesse coletivo?

A inteligência artificial, nesse sentido, é ferramenta para decifrar grandes volumes de dados, organizar informações complexas e personalizar a entrega de conteúdos. Mas sua finalidade maior é qualificar o diálogo entre Estado e sociedade, oferecendo mais clareza, acessibilidade e compreensão. A tecnologia só faz sentido quando facilita a vida do cidadão e cria condições para que ele participe ativamente da gestão pública.
No campo da gestão pública, a inteligência artificial já se destaca como um recurso estratégico para transformar dados em informações úteis e acessíveis. Um exemplo são as ferramentas de controle social do Tribunal de Contas da Paraíba, que disponibiliza dezenas de painéis interativos. Esses instrumentos permitem monitorar políticas públicas em tempo real, oferecendo à sociedade indicadores confiáveis. Além disso, a IA ajuda a traduzir a linguagem técnica em informações claras e compreensíveis para o cidadão comum, ampliando a acessibilidade com recursos como tradução automática, audiodescrição e leitura facilitada.
Essas funções, quando orientadas por princípios éticos, ajudam a transformar a transparência de um conceito abstrato em uma experiência concreta. Mais do que publicar dados em portais, trata-se de dar sentido e inteligibilidade às informações públicas, fortalecendo a transparência e estimulando a participação social.
A comunicação pública contemporânea exige que governos e instituições deixem de falar apenas para a sociedade e passem a dialogar com ela. A inteligência artificial, por meio de chatbots, assistentes virtuais e sistemas de análise de sentimentos, possibilita compreender melhor as demandas sociais, identificar tendências e responder com mais agilidade.
Para jornalistas, a IA abre possibilidades de análise de dados massivos e verificação de informações, ampliando a capacidade de investigar e contextualizar.
Para gestores públicos, fornece ferramentas para tomada de decisão mais informada e comunicação mais eficaz.
Para a sociedade, representa a chance de ter acesso a informações claras, tempestivas e confiáveis, condição fundamental para o exercício da cidadania plena.
A adoção da IA na comunicação pública, contudo, não pode ser vista como panaceia. Ela traz consigo dilemas éticos, da privacidade dos dados ao risco de vieses algorítmicos. Daí a importância de governança responsável, baseada em princípios de transparência, imparcialidade e segurança.
É preciso também investir na capacitação de profissionais de comunicação, jornalistas e servidores públicos para que compreendam o potencial e as limitações da IA. A tecnologia, sozinha, não garante democracia; é o uso consciente e orientado ao interesse público que faz dela um instrumento de transformação.
A Comunicação Pública 5.0 simboliza mais do que um salto tecnológico: é a oportunidade de inaugurar uma nova cultura de diálogo entre Estado e sociedade. Uma cultura em que a inteligência artificial não substitui o humano, mas o potencializa; não obscurece a informação, mas a ilumina; não exclui, mas integra.
Se a transparência é o solo sobre o qual floresce a democracia, a IA pode ser o adubo que fortalece suas raízes. Cabe a nós _ jornalistas, gestores e cidadãos — cultivar esse terreno para que a comunicação pública do futuro seja, acima de tudo, humana, inclusiva e cidadã.
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Fábia Carolino – Jornalista, coordenadora de Comunicação do Tribunal de Contas da Paraíba,
Profissional de Marketing Estratégico (UFPB),
MBA em Marketing Digital e cursando MBA em Inteligência Artificial para Negócios. Atua com foco na comunicação pública.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.