Autoridades públicas brasileiras que integram uma missão oficial em Israel criticaram duramente o Ministério das Relações Exteriores por uma nota oficial considerada desrespeitosa e desconectada da realidade enfrentada pela comitiva. Prefeitos, vice-prefeitos e representantes de governos locais ficaram retidos em um bunker no país do Oriente Médio, após o agravamento do conflito entre Israel e Irã, e disseram ter se sentido abandonados pela diplomacia brasileira.
A NOTA À IMPRENSA Nº 269, divulgada pelo Itamaraty, afirmou que o governo federal não tinha conhecimento da viagem e que a missão ocorreu em desacordo com alertas consulares emitidos em 2023. No entanto, os integrantes da comitiva contestam a versão oficial e afirmam que a própria representação diplomática brasileira em Tel Aviv foi previamente informada da viagem.
Segundo os relatos, a embaixada chegou a participar de uma reunião virtual com os membros da delegação no último sábado, 14 de junho, reconhecendo que havia sido comunicada da missão – especialmente no que diz respeito à segunda comitiva, composta por prefeitos e um governador. Ainda assim, não houve qualquer alerta ou orientação formal desaconselhando a viagem.
A comitiva também questiona como um evento com apoio direto do governo israelense, que incluiu convites oficiais a autoridades brasileiras, poderia ter ocorrido sem o conhecimento do Itamaraty. A nota emitida no auge da crise, segundo os participantes da missão, soa mais como uma reprimenda do que como um gesto de solidariedade.
Mesmo criticando o teor da manifestação do Itamaraty, os representantes agradeceram o trabalho das equipes diplomáticas brasileiras em Tel Aviv, na Jordânia e na Arábia Saudita, que têm atuado para garantir a segurança e a retirada da delegação da zona de conflito.
As autoridades reforçaram que a missão tinha caráter institucional e foi realizada dentro dos preceitos republicanos. Pedem agora que o momento seja tratado com responsabilidade e compromisso com a verdade, diante da gravidade da situação vivida por representantes eleitos do Brasil em um cenário de guerra.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.