Base de Azevêdo é um time, não uma equipe

Mesmo com as mudanças pontuais na Assembleia Legislativa, a base aliada do governador João Azevêdo continua grande e, ao mesmo tempo, sem consistência. Talvez não seja exagero dizer que os governistas formam um time, mas não uma equipe. São 23 deputados estaduais e os líderes imaginam que ela possa alcançar 25. Os dois que faltam nesse placar seriam Manoel Ludégrio (PSD) e Caio Roberto (PR), embora eles sempre se neguem a absorver o rótulo de governista.

Das próximas votações em plenário podem surgir alguma constatações fáticas. Uma delas é sobre o poder que tem o G9 (bloquinho), de quem o novo secretário de Articulação Política, João Gonçalves diz ter batizado. Os 9 governistas estão como pêndulo, esperando sempre a próxima votação para decidir contra ou a favor dos interesses do próprio Legislativo, não do Poder Executivo. Gonçalves terá a oportunidade de usar todo o seu jogo de cintura para que essa balança pese mais em direção ao Palácio da Redenção. Oportunidades não vão faltar.

Mutações nos humores dos deputados governistas são constantes e alimentados pelo chamado G9, que atua nos bastidores e vai ganhando musculatura dentro do plenário da Assembleia Legislativa

Na próxima semana, depois dos chocolates, vinhos e peixes, o cardápio do plenário tende a ficar mais complexo para o governo. Está na pauta a tramitação da PEC das Emenda Impositiva. Para aprova-la, serão necessários 25 votos pelo menos, dos 36 possíveis. Vamos às contas. Se a oposição tem 12 e o 'bloquinho' chega com 9, a soma dá 21 votos. Ainda faltam 4 para aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que foi apresentada pelo deputado Nabor Wanderley (PRB), que é do G9 e governista de primeira linha. Ou seja, os defensores da PEC ainda têm que trabalhar para conquistas votos dentro da base aliada do governador.

João Azevedo tem suas razões para não querer a aprovação da PEC das Emendas Impositivas. Caso passe, significa que o governo está obrigado a destinar, obrigatoriamente, em torno de R$ 3 milhões para emendas de cada um dos 36 deputados. A proposta prevê que 1,2% do orçamento seja vinculado às emendas impositivas. Embora tenha um equilíbrio fiscal em dia, o Estado luta para respirar com folga financeira, capaz de ousar em novos investimentos sem se ver obrigado a tomar novos empréstimos externos, o que vai minando a correção receita/despesa e vai comprometendo a capacidade de endividamento.

Os deputados sabem disso, mas vêem na PEC de Nabor uma inédita condição de exercer a autonomia entre os Poderes. Para isso, terão que ir de encontro aos desejos do chefe do Poder Executivo. Tá hora de uma boa e sincera DR entre governo e base parlamentar.