BNDES e Instituto Clima e Sociedade firmam parceria para ampliar restauração dos biomas
9 de outubro de 2026
Redação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Instituto Clima e Sociedade (iCS) firmaram um acordo de cooperação para apoiar a recuperação e a conservação dos biomas brasileiros. Anunciada nesta quinta-feira (8), a parceria terá como primeira ação a estruturação do ProFloresta+ 2, com apoio técnico do instituto. O acordo terá duração de três anos, prorrogáveis por mais dois, e não prevê transferência de recursos entre as instituições.

Lançado em julho, o programa busca mobilizar até R$ 6 bilhões na compra de créditos de carbono, recuperar até 60 mil hectares e contribuir para a captura de aproximadamente 19 milhões de toneladas de dióxido de carbono. São estimativas para a nova etapa, que amplia a atuação para todos os biomas brasileiros.

O iCS apoiará a adaptação do modelo às características de cada bioma, a elaboração dos contratos e a definição dos requisitos técnicos do leilão. Também participará da articulação com possíveis compradores. O BNDES continuará responsável pela estruturação do programa e pela seleção competitiva dos projetos. Os vencedores poderão solicitar financiamento de longo prazo, especialmente pelo Fundo Clima – Florestas Nativas.

Como funciona o programa

O ProFloresta+ conecta empresas interessadas em comprar créditos de carbono a desenvolvedores de projetos de restauração. De um lado, o banco organiza a demanda e o processo de compra; de outro, pode financiar a recuperação das áreas que gerarão os créditos. O valor de R$ 6 bilhões corresponde ao potencial de mobilização dessas compras.

Os créditos permitem remunerar resultados ambientais dos projetos. Na restauração, o crescimento da vegetação contribui para retirar carbono da atmosfera. Empresas compradoras utilizam esses créditos para compensar emissões de suas atividades. Na segunda edição, o BNDES pretende reunir participantes de diferentes setores econômicos, ampliando o modelo que teve a Petrobras como compradora na etapa inicial.

Experiência começou na Amazônia

A primeira edição foi direcionada à restauração de áreas degradadas na Amazônia. O programa estabeleceu como meta recuperar cerca de 50 mil hectares e gerar 15 milhões de créditos de carbono. Seu primeiro edital contemplou a aquisição de 5 milhões de créditos, distribuídos em lotes.

Foram selecionadas as empresas Systemica, brCarbon e re.green. Os contratos previstos para essa seleção têm duração de 25 anos e incluem salvaguardas sociais e ambientais para projetos de restauração ecológica.

A iniciativa também busca ampliar a cobertura vegetal com espécies nativas, conservar a biodiversidade e fortalecer a cadeia produtiva da restauração. O iCS já havia contribuído para o modelo inicial, com apoio técnico e jurídico de organizações como Imaflora, Agroicone e o escritório Mattos Filho.

Compartilhe: