O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para obter autorização e receber visitas de aliados políticos enquanto permanece detido no Complexo da Papuda, em Brasília. A solicitação foi protocolada por seus advogados e está sob análise do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos que envolvem o ex-chefe do Executivo.

No requerimento, a defesa pede permissão para que Bolsonaro receba parlamentares e dirigentes partidários, entre eles o deputado federal paraibano Cabo Gilberto Silva (PL), líder da oposição na Câmara, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ), os senadores Magno Malta (PL-ES) e Wilder Morais (PL-GO), além do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Segundo os advogados, o objetivo é possibilitar “diálogo direto” com essas lideranças, considerado fundamental para a reorganização política do grupo visando as eleições de 2026.
De acordo com a petição apresentada ao STF, Bolsonaro busca manter contato com seus principais aliados para discutir estratégias, alinhar posicionamentos no Congresso Nacional e acompanhar os rumos do campo conservador. A defesa argumenta que, mesmo em regime de restrição de liberdade, o ex-presidente continua sendo uma das principais referências políticas de seu partido e de parte expressiva do eleitorado.
A escolha dos nomes incluídos no pedido reforça o caráter estratégico da iniciativa. Cabo Gilberto, por exemplo, exerce papel central na condução da oposição na Câmara dos Deputados, sendo responsável pela articulação de pautas e pela coordenação de votos em temas sensíveis. Já Magno Malta e Wilder Morais atuam como importantes interlocutores no Senado, enquanto Hélio Lopes mantém proximidade histórica com Bolsonaro.
A presença de Valdemar Costa Neto na lista também indica a intenção de fortalecer o diálogo interno no PL, partido que pretende ter protagonismo no próximo ciclo eleitoral. A avaliação de aliados é de que o ex-presidente tenta preservar sua influência política e participar, ainda que à distância, das definições estratégicas da legenda.
Pelas regras do sistema prisional e pelas determinações judiciais, visitas com caráter político dependem de autorização expressa da Justiça. Cabe agora ao ministro Alexandre de Moraes avaliar o pedido, levando em conta as condições da custódia e os limites legais para esse tipo de encontro.
Até o momento, o STF não informou prazo para a decisão. Enquanto aguarda a análise, Bolsonaro segue detido em Brasília, mantendo contato restrito com familiares e advogados. A eventual liberação das visitas poderá representar um novo capítulo na articulação política do ex-presidente, em meio às movimentações antecipadas para as eleições de 2026.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.