Brasil bate recorde de conexão (89,1%), mas qualidade ainda preocupa
18 de agosto de 2025
Redação

O Brasil atingiu o maior índice de acesso à internet da série histórica da Pnad Contínua TIC, divulgada pelo IBGE. O levantamento mostra que 89,1% da população com 10 anos ou mais usou a internet nos últimos três meses, o que representa 168 milhões de pessoas. A posse de celular também bateu recorde: 88,9% já têm aparelho próprio.

O estudo revela avanços importantes entre idosos, crianças e moradores da zona rural, mas também aponta desigualdades na qualidade da conexão e no uso efetivo da internet.

“Mais do que estar conectado, é preciso garantir que a internet seja útil para a vida, para os estudos, para o trabalho, para o acesso a direitos. Isso é o que chamamos de conectividade significativa”, afirma Laerte Magalhães, CEO da NuhDigital.

Ele faz uma comparação com o acesso à água:

“Dizer que alguém tem acesso à internet só porque se conectou uma vez a cada três meses é como dizer que alguém tem acesso à água porque toma um copo por dia. Assim como a água é essencial em várias atividades, precisamos de internet de qualidade todos os dias para trabalhar, estudar e empreender”.

Entre os destaques do levantamento:

  • 98,8% dos usuários se conectam pelo celular, mas só 33,4% ainda usam computador;
  • O acesso via TV ultrapassou 50% pela primeira vez;
  • O uso diário já chega a 95,2% dos usuários;
  • Na zona rural, o acesso saltou de 33,9% em 2016 para 81% em 2024, mas ainda está abaixo da média urbana;
  • Entre idosos, o percentual de conectados subiu de 24,7% para 69,8% em oito anos;
  • Alunos da rede pública continuam em desvantagem: 90% têm acesso, contra 97% da rede privada.

A NuhDigital defende que o Brasil adote como parâmetro o conceito de conectividade significativa, já recomendado pela ONU — que avalia não apenas o acesso, mas também a regularidade, qualidade, velocidade e habilidades digitais dos usuários.

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