Brasil chega a 122,8 mi de pessoas com crédito
24 de agosto de 2026
Redação

Entre 2021 e 2025, o mercado brasileiro de crédito ampliou significativamente seu alcance. O número de pessoas com crédito ativo passou de 96,8 milhões para 122,8 milhões, enquanto o volume de relacionamentos entre consumidores e instituições credoras chegou a 396,7 milhões. O saldo dos contratos de crédito ativo também cresceu, alcançando aproximadamente R$4,47 trilhões ao fim de 2025. 

A expansão aparece também na percepção dos consumidores, segundo a pesquisa realizada pela Acordo Certo: 49,1% afirmam que ficou mais fácil conseguir crédito nos últimos cinco anos e 48,8% consideram que sua vida financeira está melhor do que no início da década, enquanto 29,6% consideram que houve piora. Entre os que perceberam melhora, 32,3% citam maior poder de compra, 30% a ausência de dívidas acumuladas e 17,5% a possibilidade de guardar dinheiro.  

Os dados fazem parte do estudo “O começo de uma década – A evolução do mercado financeiro até a metade dos novos anos 20”, produzido pela Equifax BoaVistaAcordo Certo e CDL Porto Alegre. O levantamento analisa a evolução do crédito, da inadimplência, do endividamento e do comprometimento de renda dos brasileiros entre 2021 e 2025, além de reunir uma pesquisa de percepção dos consumidores sobre sua vida financeira nesses cinco anos. 

No período analisado, o saldo dos contratos de crédito ativo cresceu 63,7%, passando de aproximadamente R$2,7 trilhões para R$4,47 trilhões. O número de relacionamentos entre consumidores e instituições credoras, por sua vez, passou de 260,1 milhões para 396,7 milhões, avanço de 52,5%

“O aumento do acesso ao crédito representa uma evolução importante do mercado brasileiro, porque amplia as possibilidades de consumo, investimento e realização de projetos pessoais. Ao mesmo tempo, os dados mostram que essa expansão precisa ser acompanhada por uma leitura cada vez mais precisa da capacidade de pagamento e do momento financeiro de cada consumidor”, afirma Henrique Moraes, CEO da Equifax BoaVista

“Nosso mercado de crédito já é grande demais para ignorar uma questão central dos anos: o paradoxo da inclusão. Conhecer os consumidores e acompanhar suas mudanças de comportamento em tempo real exige cada vez menos esforço, cabe a nós combinar tudo isso. O impacto que queremos depende de como vamos traduzir nossos recursos em alternativas concretas para o consumidor”, diz Fernando Iódice, CEO da Acordo Certo, uma marca da Consumidor Positivo 

“Os indicadores abordados neste estudo mostram que houve inclusão financeira relevante no Brasil ao longo dos últimos anos. Nesse sentido, a digitalização das relações econômicas, impulsionada pela pandemia, colaborou para sustentar o avanço do crédito, especialmente no início dos anos 2020. Para os próximos anos, o aprimoramento do uso da inteligência artificial (IA) e de novas soluções vinculadas ao open finance e aos modelos de score deve impulsionar ainda mais a expansão do crédito até o final da década. Por sua vez, variáveis macroeconômicas, como a Taxa Selic, também serão determinantes para potencializar, ou não, essa trajetória”, comenta Oscar André Frank Junior, economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre. 

Esse movimento, no entanto, veio acompanhado de maior pressão sobre a capacidade de pagamento das famílias, por isso, a expansão do crédito foi acompanhada pelo avanço dos indicadores de inadimplência. A taxa de indivíduos inadimplentes passou de 19,9% para 26,3% no período entre 2021 e 2025. 

Saldo inadimplente mais do que triplica 

O saldo inadimplente cresceu de R$54 bilhões, em 2021, para R$177,6 bilhões em 2025. Com isso, a taxa de inadimplência sobre a carteira ativa passou de 1,98% para 3,97% — praticamente o dobro do indicador registrado no início do período. 

Na análise por indivíduos, a taxa de consumidores inadimplentes cresceu 32,3% no período, encerrando 2025 em 26,3%. Apesar da piora do indicador, 73,7% dos mais de 122 milhões de brasileiros com crédito ativo permaneciam adimplentes ao fim do ano. 

O movimento também aparece nas negativações: entre 2021 e 2025, o número de pessoas negativadas cresceu 39,8%, enquanto o volume de registros avançou 73,1%

Comprometimento de renda permanece acima do início da década 

O comprometimento de renda dos brasileiros com contratos de crédito cresceu de 70,3% em 2021 para 81,1% em 2025, alta de 15,4% no período. O indicador atingiu 86,1% em 2024 e recuou no último ano. 

Já o endividamento total caiu até 2023 e voltou a crescer nos dois anos seguintes. O indicador encerrou 2025 em 36,02%, ainda abaixo do patamar registrado em 2021. 

De acordo com Oscar Frank, alguns elementos ajudam a caracterizar o perfil dos consumidores mais atingidos pela inadimplência. “A abertura dos dados mostra que a incidência é maior entre os mais jovens, prejudicados pelo menor tempo de experiência no mercado de trabalho e, consequentemente, por rendimentos mais baixos. Os consumidores que recebem até 2 salários mínimos também são mais suscetíveis a eventuais choques negativos capazes de empurrá-los à inadimplência”, explica. “A queda observada no comprometimento de renda em 2025, na comparação com 2024, não deve necessariamente ser encarada como uma melhora estrutural, pois é possível que seja resultado de um processo de ajuste das famílias ao cenário de custo elevado do crédito”, conclui. 

Consumidores reconhecem benefícios, mas percebem maior risco 

A pesquisa revela uma percepção ambivalente sobre a evolução financeira dos últimos cinco anos. 48,8% dos consumidores avaliam que sua vida financeira está melhor do que no início da década, enquanto 29,6% consideram que houve piora. 

O maior acesso ao crédito também aparece na percepção da população: 49,1% dos entrevistados acreditam que ficou mais fácil conseguir aprovação de crédito nos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, 72,3% afirmam que também ficou mais fácil se endividar

Metodologia 

O estudo foi desenvolvido em colaboração entre Equifax BoaVista, Acordo Certo e CDL Porto Alegre.  

A área de Data & Analytics da Equifax BoaVista analisou CPFs com crédito ativo, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, na base de dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central do Brasil.  A análise contemplou distintos produtos de crédito ofertados para brasileiros, separados por faixa etária, renda presumida e região de contratação do crédito. 

Os dados da pesquisa foram complementados por pesquisa de opinião realizada pela Acordo Certo entre 26 de maio a 11 de junho, com 2.533 usuários engajados da plataforma, com CPF ativo, distribuídos entre indivíduos com e sem dívidas. As respostas foram coletadas de forma voluntária e anônima, via formulário digital. 

O estudo contou ainda com a participação voluntária de Oscar André Frank Junior, economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre..

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