A Cáritas Brasileira acolheu mais de 245 mil migrantes, refugiados e apátridas em todo o país nos últimos dois anos. Os dados constam nos relatórios institucionais referentes a 2024 e 2025 e foram divulgados durante a 41ª Semana do Migrante, realizada entre os dias 15 e 22 de junho, período que também marca o Dia Nacional do Migrante, celebrado em 19 de junho, e o Dia Mundial do Refugiado, em 20 de junho.

Segundo a organização, foram atendidas 133.547 pessoas em 2024 e outras 112.244 em 2025, totalizando 245.791 acolhimentos. A atuação ocorreu em diversas regiões do Brasil, com foco na garantia de direitos, assistência humanitária e apoio à reconstrução dos projetos de vida de pessoas em situação de deslocamento forçado.
Entre as histórias que retratam essa realidade está a da venezuelana Dimarly Daniela, de 32 anos. Ela chegou ao município de Pacaraima, em Roraima, acompanhada da filha, nas primeiras semanas de janeiro deste ano. Ao cruzar a fronteira em busca de melhores condições de vida, encontrou na instalação sanitária da Cáritas Brasileira o primeiro ponto de acolhida no Brasil.
“Estou em Pacaraima há uma semana. O serviço da Cáritas Brasileira foi o primeiro que me acolheu. É um serviço muito importante, porque chegamos com pouca ajuda. Aqui a gente pode vir para tomar banho”, relatou.
A Cáritas Brasileira, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, mantém uma atuação histórica na área de migração e refúgio. O presidente da instituição e arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antonio, destacou que o trabalho é orientado pelos princípios de acolhida, proteção, promoção e integração das pessoas migrantes.
O cenário migratório brasileiro continua sendo influenciado por fatores como crises econômicas, instabilidade política, mudanças climáticas e desigualdades sociais. Atualmente, o país abriga cerca de dois milhões de migrantes, refugiados e apátridas de aproximadamente 200 nacionalidades. Apesar desse crescimento, menos de 5% dos municípios brasileiros possuem acordos formais voltados ao atendimento dessa população.
De acordo com Indi Gouveia, integrante da coordenação colegiada da Cáritas Brasileira, os avanços nas políticas públicas ainda não são suficientes para atender à demanda crescente. Segundo ela, a articulação entre Estado e organizações da sociedade civil é fundamental para garantir o acesso a direitos básicos e condições dignas de acolhimento.
Na fronteira entre Brasil e Venezuela, a atuação da entidade ocorre desde 2019. Por meio do Projeto Orinoco, são oferecidos serviços de água, saneamento e higiene. Já o Projeto Sumaúma ampliou as ações voltadas à segurança alimentar a partir de 2022.
Os números da operação em Roraima revelam a dimensão do atendimento. Mais de 1,25 milhão de refeições já foram distribuídas pela organização. Apenas em 2025, as instalações sanitárias gratuitas registraram cerca de 400 mil atendimentos, oferecendo acesso à água potável, banhos, lavanderia e secagem de roupas para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Segundo o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a Venezuela permanece como o principal país de origem da população estrangeira residente no Brasil.
Com o tema “Migração e Moradia” e o lema “Eu não tenho onde morar!”, a 41ª Semana do Migrante reforça o debate sobre os desafios enfrentados por pessoas em mobilidade humana e destaca a importância de políticas públicas voltadas à proteção, integração e garantia de direitos dessa população.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.