A estudante paulista Bianca Borges, 25 anos, foi eleita presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) neste domingo, 20/07, durante o 60º Congresso da UNE, em Goiânia.
Eleita com 82,6% dos votos pela chapa “Unidade e coragem para defender o Brasil”, que inclui os coletivos UJS, Levante Popular da Juventude, JPT, Paratodos, JPL, Kizomba, Afronte, RUA, Afronte, entre outros, ligados aos partidos PCdoB, PT e setores do PSOL.
Atualmente cursando Letras no IFSP (Instituto Federal de São Paulo), Bianca também foi aluna do curso de Direito da USP e diretora de uma das mais entidades tradicionais do movimento estudantil, o Centro Acadêmico XI de Agosto, aos 17 anos.
Trajetória no movimento estudantil
Nascida em Itapevi, região metropolitana de São Paulo, cresceu grande parte da vida em Praia Grande e é filha de trabalhadores nordestinos que vieram para o Sudeste em busca de oportunidades, um representante típico de grande parte da população da metrópole.
Aos 14 anos, a falta de estrutura da ETEC de Praia Grande levou Bianca a ocupar o lugar de representante de sala e, junto com colegas, fundaram um grêmio. Entre as principais pautas, estava batendo de frente com o autoritarismo do diretor e ter um micro-ondas para esquentar a marmita já que passavam o dia todo na escola. “Queríamos ter um espaço que fosse dos estudantes e melhorar um pouco a situação de onde estávamos tendo aulas”.
Foi já no ensino fundamental que ela despertou para a oportunidade de estudar em uma das melhores universidades do Brasil, a Universidade de São Paulo. “Tive um professor de língua portuguesa chamado Élcio, na minha escola municipal em Praia Grande que era muito bom. Ele ficou martelando que a gente precisava se esforçar para estudar em uma universidade boa como a USP, a Unicamp, e eu acabei caindo na pilha”.
Aluna se candidatou, passou em primeiro lugar no vestibulinho do ensino médio da Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETEC) e depois de muito esforço aos 17 anos tornou-se caloura na Faculdade de Direito da USP e diretora do centro acadêmico XI de Agosto.

Educação fora do arcabouço
Agora ela quer seguir estudando e ajudando a tirar a educação do arcabouço fiscal, e afirma que isso se faz construindo apoio popular e maioria no Congresso.
“Toda vez que precisa fazer ajuste, tira dinheiro da universidade e não dá para ser assim, né?”.
Para um novo presidente, a universidade não depende apenas do futuro do nosso país, mas de várias vidas e do papel da universidade não é apenas para o desenvolvimento econômico e tecnológico, mas do desenvolvimento cultural e social.
“Muitas vidas não são mudadas a partir do ingresso na universidade e conseguem um trabalho mais digno? Meu pai era zelador, hoje é motorista de uber, antes cortou cana. Minha mãe trabalhou na roça, depois foi operária em fábrica, até hoje é diarista. E eu hoje posso trabalhar como advogada, o que é uma ascensão de uma geração para outra que é sem precedentes”.
“Temos que pensar que a universidade também faz parte de um projeto civilizacional. As pessoas têm condições de mudar de vida, de participar do debate público, entendem o que está acontecendo sem serem manipuladas por pessoas mal intencionadas”, finaliza.
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60º Congresso da UNE
O maior espaço de encontros e debates entre estudantes universitários do país e um dos maiores do mundo, o CONUNE, reuniu cerca de 15 mil pessoas, em Goiânia, entre os dias 16 e 20 de julho.
O congresso foi marcado pela presença do presidente Lula, que sancionou a Lei 3.118 de 2024 , que destina recursos do Fundo Social do Pré-Sal à assistência estudantil, e também por homenagens às vítimas do acidente na BR-153, em Porangatu, em Goiás, e que estavam a caminho do congresso.
Além disso, no domingo, 20.07, foi realizado um ato pelo Plebiscito Popular , em que todos os participantes puderam votar na consulta nacional pelo fim da escala 6×1 e pela tributação brasileira.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.