El Nino intenso deve impactar todas regiões do país
14 de junho de 2026
Redação

O fenômeno climático El Niño está oficialmente de volta e deve influenciar o clima em diversas regiões do planeta nos próximos meses. A confirmação foi divulgada pelo Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), indicando que as condições características do fenômeno já estão presentes no Oceano Pacífico Equatorial e devem permanecer até o verão austral de 2026/2027.

No Brasil, o retorno do El Niño já mobiliza órgãos federais, instituições de monitoramento climático e especialistas em gestão de riscos. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), reuniu representantes de diversos órgãos para alinhar estratégias de prevenção, mitigação e resposta aos possíveis impactos do fenômeno.

Durante o encontro, foram apresentados os prognósticos mais recentes para o país. A expectativa é de que os efeitos ocorram de forma distinta em cada região brasileira. Enquanto o Sul deverá registrar volumes de chuva acima da média, com aumento do risco de enchentes, alagamentos e elevação dos níveis dos rios, as regiões Norte e Nordeste podem enfrentar períodos prolongados de estiagem, redução da umidade do solo, aumento das temperaturas e maior ocorrência de incêndios florestais.

O coordenador-geral de Gerenciamento de Riscos da Sedec, Leno Rodrigues de Queiroz, destacou que o comportamento do El Niño exige planejamento específico para cada região. Segundo ele, a Defesa Civil Nacional mantém contato permanente com os órgãos do Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil para orientar estados e municípios sobre medidas de enfrentamento.

Os cenários climáticos para o trimestre entre junho e agosto apontam tendência de chuvas acima da média no centro-sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, considerado o estado potencialmente mais impactado. Já para o Norte e Nordeste, os modelos indicam possibilidade de seca severa, acompanhada de ondas de calor e aumento do risco de queimadas a partir de agosto e setembro.

Apesar da confirmação da ocorrência do fenômeno, especialistas ressaltam que ainda não há consenso sobre sua intensidade final. O coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, afirmou que a formação do El Niño já é considerada certa, mas ainda não existem previsões confiáveis sobre a magnitude dos seus efeitos.

O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Fábio Rocha, explicou que os modelos atuais apontam para um fenômeno de intensidade moderada a forte, especialmente durante a primavera. Segundo ele, o aquecimento progressivo das águas superficiais do Oceano Pacífico já é observado pelos sistemas de monitoramento e deve se intensificar ao longo do segundo semestre.

No Rio Grande do Sul, a meteorologista da Defesa Civil estadual, Cátia Valente, informou que há cerca de 63% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Ela ressaltou, porém, que os impactos exatos dependerão da interação com outros sistemas atmosféricos, o que exige monitoramento contínuo e preparação antecipada.

A preocupação também alcança a comunidade internacional. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu alerta indicando a possibilidade de um El Niño moderado ou forte, com potencial para elevar as temperaturas globais e aumentar a ocorrência de eventos climáticos extremos entre junho e novembro. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, classificou o cenário como um alerta climático urgente.

Na Amazônia, pesquisadores avaliam que o episódio poderá estar entre os mais severos desde o início dos registros modernos, em 1950. A combinação entre temperaturas elevadas e redução das chuvas pode ampliar o risco de secas históricas, incêndios florestais e impactos sobre atividades econômicas ligadas à bioeconomia da floresta, incluindo a produção de castanha-do-brasil e outras cadeias produtivas que dependem da manutenção dos recursos naturais.

Diante desse cenário, projetos voltados à conservação florestal e à redução das emissões por desmatamento e degradação ganham relevância. Empresas e organizações que atuam com iniciativas de REDD+ defendem que a preservação das áreas nativas pode contribuir para aumentar a resiliência dos ecossistemas diante dos períodos de maior vulnerabilidade climática.

Além dos impactos ambientais e sociais, o retorno do El Niño também deve provocar reflexos econômicos. Um estudo divulgado pela consultoria HimmelCORP aponta que as alterações climáticas previstas para o segundo semestre podem modificar padrões de consumo em todo o país. Segundo a análise, o aquecimento antecipado em regiões do Sudeste e Centro-Oeste poderá impulsionar a procura por ventiladores e aparelhos de ar-condicionado já entre agosto e setembro, antecipando a demanda normalmente observada nos meses finais do ano.

O levantamento também alerta para riscos logísticos decorrentes de enchentes no Sul e de secas severas na Amazônia, que podem afetar rotas de transporte e abastecimento. A consultoria avalia ainda que estratégias de vendas e publicidade precisarão considerar as diferenças climáticas regionais, uma vez que o país poderá enfrentar condições meteorológicas opostas simultaneamente.

Enquanto as previsões seguem sendo atualizadas pelos institutos de pesquisa, o governo federal intensifica a articulação entre ministérios, centros de monitoramento, órgãos de defesa civil e instituições científicas para ampliar a capacidade de resposta aos eventos extremos associados ao fenômeno. A Sedec informou que mantém monitoramento diário da evolução do El Niño e reforçou a orientação para que estados e municípios acompanhem os boletins técnicos e adotem medidas preventivas para reduzir riscos à população.

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