Empresa de energia solar quer implantar usina de hidrogênio verde no Porto

É nos campos da Paraíba onde as transformações silenciosas acontecem. Na agricultura familiar, as novas fronteiras das energias renováveis estão sendo desbravadas com pequenas doses de tecnologia e muito trabalho. É o que acontece no assentamento que fica em Várzea, onde mora seu Antônio Marcos. O agricultor reduziu a conta de energia em mais de 90% e conseguiu até manter a irrigação de duas plantações de mamão e melancia, em pleno Sertão paraibano.

No campo existem saltos maiores ainda em direção às novas fronteiras. A mesma empresa responsável pelas grandes usinas de placas solares entre Condado, Coremas, Malta e Santa Luzia, já negocia com o Porto de Cabedelo uma área para instalar uma usina de produção de hidrogênio verde. Para nações da Europa, é o combustível do futuro e o Brasil será o grande exportador. Edmond Farhat, sócio fundador da Rio Alto Energia Solar, não tem dúvida dessa aposta e trabalha para instalar o primeiro equipamento no terminal que fica no litoral norte do Estado.

O hidrogênio pode ser obtido da água e do etanol, por exemplo. A Agroindústria Japungu, na zona rural de Santa Rita, tem capacidade para produzi-lo e trabalha também com a possibilidade de gerar energia elétrica também pelo etanol. É auto-sustentável em energia elétrica a partir da biomassa obtida com o bagaço da cana de açúcar.

O coordenador de projetos Governadores pelo Clima e Hidrosinergia, professor Sérgio Xavier, diz que alguns estados já estão bem adiantados nesses estudos. No Nordeste, segundo o especialista, ex-secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, o Ceará partiu na frente. Sérgio Xavier foi um dos entrevistados da série A ONDA LIMPA, apresentada em cinco reportagens de fôlego pela TV CORREIO, na semana passada.

A série mostrou a importância da integração das diferentes matrizes de energia limpa, para impulsionar projetos como o da Neoenergia, empresa dos parques eólicos da Serra de Santa Luzia e arredores. Ela já está implantando em seis capitais do Nordeste o chamado “corredor verde”, com mais de mil quilômetros de extensão e 18 postos de abastecimento de veículos elétricos. A energia será gerada dos seus parques. O corredor verde passará por João Pessoa.

Um grande desafio é a fabricação de baterias que sejam capazes de armazenar os excedentes gerados pelas usinas solares e, num futuro mais próximos, pelos parques eólicos. Professores e pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba já estão debruçados nesse projeto. As novas fronteiras das energias renováveis no Estado foi o tema de uma das reportagens da série.



Na Paraíba, o setor elétrico como um todo - incluindo geração e transmissão - terá R$ 10 bilhões de investimentos nos próximos quatro anos, segundo o presidente da Aneel, André Pepitone. O dirigente da Agência Nacional de Energia Elétrica ressalta que, se ficarmos só com energia eólica e solar, serão R$ 8 bilhões de investimentos. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirma essas previsões.

A espiral de crescimento de energias renováveis na Paraíba será em dobro no Estado. O coordenador da Associação Brasileira de Energia Solar para o Nordeste (Absolar), Jonas Becker, diz que o segmento já gerou R$ 1,2 bilhão de investimentos no Estado e gerou mais de 10 mil empregos.

Segundo a presidente da Abeólica, Elbia Gannom, a geração energia elétrica pelos aerogedaores é o mais promissora de todos e a Paraíba está inserida nessa expectativa de crescimento.

No Litoral Norte, a cidade de Mataraca é atendida em 100% de suas casas pela energia produzida por cataventos gigantes de dois parques eólicos instalados em seu solo. O Millenium chegou em 2007 e produz 10 mil megawatts. Dois anos depois, veio o complexo Vale dos Ventos com uma potência de 48 mil megawatts. Juntos, daria para abstacer 104 mil residências. “Hoje todo o consumo de Mataraca é renovável”, garante Leandro Alves, diretor de operação da SPIC Brasil, empresa responsável pelos parques.

A geração de energia elétrica por fontes renováveis e limpas na Paraíba não dependem apenas do sol ou do vento. Aqui, já são usinas que produzem biomassa e geram energia. Quatro delas certificadas pela Aneel como termelétricas. Ou seja, geram energia para rede interligada e podem comercializar o excedente. A Usina Japungu, em Santa Rita, produz 15 mil kilowwats e quer dobrar esses números.

A série A ONDA LIMPA mostrou os números dos mais diferentes vetores de energias renováveis, como biomassa, biogás e bioeletricidade. Em cinco reportagens especias, foi mostrado que há oportunidades de crescimento numa economia inclusiva e sustentável.



Com os novos empreendimentos de energias renováveis se espalhando pelo Estado, as oportunidades de emprego surgem nas mais diferentes áreas. O mercado já absorve essa mão de obra qualificada. E ele está atrás de mais profissionais, por conta dos novos empreendimentos, como a maior fábrica de placas fotovoltaicas da América Latina, prestes a ser inaugurada em João Pessoa. Ela vai produzir por dia mais de 3 mil painéis e ainda tem capacidade de fabricar transformadores próprios para a energia solar.



A chegada dos grandes empreendimentos na Paraíba também atrai a atenção dos ambientalistas. Eles discutem os impactos causados pelas grandes usinas solares e os parques elóquios no meio ambiente. Os empreendedores garantem que seguem a legislação e fazem compensação de tudo que foi retirado da natureza.



Umas das mais importantes pesquisadoras desses impactos ambientais no Nordeste é a professora e pesquisadora da UFCG, Ricélia Maria Marinho Sales. Ela é líder do grupo de pesquisas SURA (Sistema de Indicadores Urbano e Rural e Ambiental), do CNPq. Ricéila concedeu entrevista para o jornalista Hermes de Luna onde espalhou todos os questionamentos sobre os impactos desse empreendimentos no estado.



A professora Ricélia Marinho também integra o Comitê de Energias Renováveis do Semiárido (Cerca), que funciona desde 2014 e envolve todas as instituições federais de ensino público que atuam na Paraíba. Ela faz questão de ressaltar que não é contra esses investimentos, mas que eles precisam ser mais discutidos com a sociedade e que garantam a reposição de tudo que foi retirado da natureza.

O sol pode ser um aliado mais forte do homem que vive no semiárido. Algumas experiências, ajudam na sobrevivência e na economia inclusiva em várias localidades, É assim em Caraúbas, onde seu Reginaldo Bezerra construiu dezenas de dessalinizadores solares, passou a ter acesso à água limpa e sem organismos que causem doenças infecciosas. Em Esperança, dona Maria das Graças há 15 anos não compra um botijão de gás, desde que investiu num biodigestor, aproveitando os dejetos do gado.

No Conde, no Litoral Sul, a ONG Litro de Luz instalou energia elétrica com placas solares em postes com cano de PVC e filetes de LED dentro de garrafas pets. As inovações chegaram ao homem do campo e as placas solares também fazem parte de suas realidades, como no sítio de seu Júlio Pereira, que barateou custos e aumentou a produtividade, na zona rural de São Mamede.

No podcast do site da TV CORREIO, Hermes de Luna conversa com a presidente nacional da OBG Litro de Luz, Laís Higashi, e o coordenador da célula do projeto na Paraíba, o campinense Cleverson Costa.



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Para que todos esses investimentos prosperem, é preciso apoio estatal. O secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Paulo César Dominguez, garante que o Governo Federal vem dando todo apoio, vem fiscalizando as empresas, inclusive nos prazos, e abrindo oportunidades para novos investimentos.