EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas e ampliam pressão sobre crime organizado brasileiro
29 de maio de 2026
Redação

Os Estados Unidos decidiram classificar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado norte-americano e assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

De imediato, as duas facções passaram a ser tratadas como Terroristas Globais Especialmente Designados, categoria que permite ao governo americano bloquear bens, restringir movimentações financeiras e proibir transações envolvendo pessoas ou empresas sob jurisdição dos Estados Unidos.

A partir de 5 de junho, PCC e Comando Vermelho também serão enquadrados como Organizações Terroristas Estrangeiras, uma classificação mais rígida na legislação americana. Na prática, a medida amplia o alcance das sanções, pode afetar processos migratórios, facilitar deportações e abrir caminho para punições contra pessoas acusadas de prestar apoio material aos grupos.

No comunicado, Marco Rubio afirmou que PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com milhares de integrantes e atuação que ultrapassa as fronteiras brasileiras. Segundo o governo americano, as facções mantêm redes ilícitas em outros países da América Latina e também representam ameaça aos interesses dos Estados Unidos.

A decisão tem forte impacto diplomático e político. O anúncio ocorreu um dia depois de reuniões em Washington envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro, Marco Rubio e o presidente Donald Trump. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro comemoraram a medida e passaram a apresentá-la como uma resposta internacional ao avanço do crime organizado no Brasil.

Do outro lado, integrantes do governo Lula veem a decisão com preocupação. A avaliação é que a classificação pode criar precedentes para pressões externas sobre a política de segurança pública brasileira e até para tentativas de interferência em temas de soberania nacional. O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, defendeu a cooperação internacional contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas, mas afirmou que qualquer pretexto para intervenção é inaceitável.

No Brasil, PCC e Comando Vermelho continuam juridicamente enquadrados como organizações criminosas. Pela legislação brasileira, o terrorismo está associado a atos praticados por razões de xenofobia, discriminação, preconceito de raça, cor, etnia ou religião, com objetivo de provocar terror social ou generalizado. Por isso, a aplicação do conceito às facções ainda é alvo de debate jurídico e político.

A medida também ocorre em um momento de aumento da pressão sobre as finanças do crime organizado. Autoridades brasileiras têm intensificado operações contra lavagem de dinheiro, fraudes e estruturas empresariais usadas por facções para movimentar recursos ilegais. Investigações recentes apontam que os grupos ampliaram sua presença em cadeias produtivas, empresas de fachada, postos de combustíveis, fintechs e operações internacionais de tráfico.

A classificação americana, portanto, não muda automaticamente a legislação brasileira, mas eleva o peso internacional do combate ao PCC e ao Comando Vermelho. A partir de agora, bancos, empresas e pessoas físicas com vínculos diretos ou indiretos com as facções poderão enfrentar maior risco de sanções nos Estados Unidos.

O tema deve ganhar ainda mais força no debate público brasileiro. Para defensores da medida, o enquadramento como terrorismo aumenta a pressão internacional contra facções que já atuam de forma transnacional. Para críticos, a decisão mistura segurança pública, disputa eleitoral e interesses geopolíticos, abrindo uma nova frente de tensão entre Brasília e Washington.

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