Exército reúne mais de 240 instituições para simular ciberataques contra setores críticos 
4 de setembro de 2026
Redação

Entre os dias 21 e 25 de setembro, mais de 240 instituições públicas e privadas participam do Exercício Guardião Cibernético 8.0, considerado o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul. Coordenada pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, a iniciativa vai reproduzir cenários de ataques contra infraestruturas críticas e testar a capacidade de reação de organizações diante de incidentes que podem afetar serviços essenciais do país.

O exercício reúne Forças Armadas, órgãos do governo federal, agências reguladoras, Banco Central, bancos públicos e privados, empresas do setor nuclear, instituições acadêmicas e organizações de cibersegurança. A sede principal será em Brasília, com atividades também em Manaus, Belém, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

GoHacking, maior edtech de cibersegurança da América Latina, será responsável pela operação dos cinco CTFs oficiais do Guardião. As competições incluem estudantes de Colégios Militares, oficiais e sargentos das Escolas de Formação, civis e militares na Operação Curupira III e equipes de Forças Armadas de 29 países.

Uma das principais frentes será justamente a Operação Curupira III, competição 100% online que abre parte do treinamento também para profissionais, universitários e entusiastas de cibersegurança maiores de 18 anos. Durante a disputa, os participantes enfrentam desafios de web exploitation, criptografia, forense digital, engenharia reversa, OSINT e redes. Na edição anterior, o CTF reuniu mais de mil jogadores civis e militares.

“Um exercício desse porte permite testar conhecimentos e capacidade de reação em um ambiente controlado, antes que essas habilidades sejam exigidas em uma situação real. Na cibersegurança, preparação depende muito de prática, porque é durante uma simulação que aparecem dificuldades técnicas e pontos de atenção que nem sempre são percebidos na rotina”, afirma Junior Santos, CFO e sócio da GoHacking.

A edição deste ano também terá uma novidade na simulação de crises. Pela primeira vez dentro do Guardião Cibernético, GoHacking e FEBRABAN conduzirão conjuntamente um tabletop exercise, formato que coloca organizações diante de um cenário de incidente para avaliar tomada de decisão, coordenação entre áreas e capacidade de resposta. A dinâmica envolve questões que ultrapassam a atuação das equipes técnicas e podem mobilizar liderança, jurídico, comunicação e outras áreas responsáveis pela gestão de uma crise.

A preparação ganha relevância diante do volume de ameaças enfrentadas pelo país. Segundo o relatório Cenário Global de Ameaças, da Fortinet, o Brasil registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos ao longo de 2025. Dentro do Guardião, os participantes serão expostos a situações que envolvem justamente alguns dos setores mais sensíveis a esse tipo de ameaça, como energia, telecomunicações, sistema financeiro, água e setor nuclear.

“Quando falamos de uma crise cibernética que pode atingir uma infraestrutura crítica, a resposta não depende apenas de encontrar uma vulnerabilidade. Existem decisões que precisam ser tomadas rapidamente, áreas que precisam atuar de forma coordenada e impactos que precisam ser avaliados enquanto o incidente ainda está acontecendo. Exercícios como o Guardião ajudam a colocar essa estrutura à prova”, completa Junior.

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