FIEPB cobra ações para Distrito Industrial de JP e aponta “Custo Brasil” como entrave para indústria
10 de julho de 2026
Redação

A necessidade de investimentos urgentes em infraestrutura no Distrito Industrial de João Pessoa e os impactos do chamado “Custo Brasil” sobre a competitividade das empresas dominaram a entrevista concedida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB), Cassiano Pereira, ao programa Correio Debate, da TV Correio. Durante a conversa, o dirigente fez um balanço da audiência realizada com o governador Lucas Ribeiro, detalhou as principais demandas apresentadas pelo setor produtivo e defendeu uma atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada para garantir as condições necessárias à expansão da indústria no estado.

Cassiano foi entrevistado por Hermes de Luna

A entrevista ocorreu após uma reunião a portas fechadas, na Granja Santana, entre representantes da FIEPB, empresários do setor industrial e o governador da Paraíba. Segundo Cassiano Pereira, o encontro foi “bastante produtivo” e serviu para apresentar a realidade enfrentada pelas empresas instaladas no Distrito Industrial da capital, que concentra dezenas de indústrias e responde por cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos.

De acordo com o presidente da FIEPB, o principal objetivo da audiência foi cobrar do Governo do Estado providências para resolver problemas estruturais que se arrastam há anos e que, na avaliação do setor, comprometem tanto a operação das empresas quanto a segurança dos trabalhadores. Entre os pontos levados ao governador estão a necessidade de melhorias no sistema de drenagem, recuperação do asfalto, reforço da iluminação pública e ampliação da segurança no entorno das indústrias.

Cassiano afirmou que Lucas Ribeiro autorizou a Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) a adotar em João Pessoa o mesmo modelo de intervenção já executado nos distritos industriais de Campina Grande e Queimadas. A expectativa da FIEPB agora é elaborar, em curto prazo, um projeto técnico que permita a liberação de recursos para a requalificação da área.

Na entrevista, o dirigente destacou que os gargalos de infraestrutura acabam gerando custos adicionais para as empresas, que precisam assumir despesas que, em muitos casos, deveriam ser cobertas pelo poder público. Segundo ele, a situação do Distrito Industrial da capital se tornou um retrato do “Custo Brasil”, expressão usada para definir o conjunto de entraves estruturais, burocráticos e tributários que encarecem a atividade econômica no país.

“Hoje, os empresários estão pagando para ter segurança extra. Temos o asfalto ou o calçamento com defeito, o caminhão vem e estoura um pneu. Isso tudo é Custo Brasil”, afirmou Cassiano Pereira durante a entrevista.

Na avaliação do presidente da FIEPB, esse acúmulo de despesas impacta diretamente a formação do preço dos produtos e termina sendo repassado ao consumidor. Ele observou que, além dos problemas localizados no Distrito Industrial, o setor produtivo convive com dificuldades logísticas em escala nacional, como a precariedade das rodovias, o aumento da carga tributária e os custos operacionais do transporte.

“Nossos caminhoneiros acordam de madrugada para trabalhar e tentar não desgastar tanto os pneus, porque nossas rodovias estão com muitos problemas. Quando você junta tudo isso com o aumento de impostos, afeta o preço do produto final”, disse.

Cassiano Pereira também aproveitou a entrevista para ampliar o debate sobre o ambiente econômico nacional. Embora tenha reconhecido a importância da reforma tributária em curso, com implementação prevista até 2032, ele defendeu que o país avance em medidas de controle dos gastos públicos e de redução de despesas consideradas improdutivas. Para o dirigente, a melhora da infraestrutura e a revisão de custos estruturais são tão importantes quanto a simplificação tributária para aumentar a competitividade da indústria brasileira.

Apesar das críticas ao cenário nacional e às dificuldades enfrentadas pelas empresas, o presidente da FIEPB apresentou um quadro de otimismo em relação ao desempenho da indústria paraibana. Segundo ele, projeções recentes indicam crescimento de 6,8% para o setor no estado, percentual que colocaria a Paraíba com a maior estimativa de expansão industrial do Nordeste e a quarta maior do país.

Na leitura de Cassiano, esse resultado reforça o potencial da economia paraibana, mas também amplia a responsabilidade dos gestores públicos e das entidades representativas em criar um ambiente favorável aos investimentos. Para ele, o crescimento projetado só será consolidado se houver articulação entre o setor produtivo e os governos municipal, estadual e federal, com foco em infraestrutura, qualificação profissional, segurança jurídica e apoio à produção.

Ao fazer um balanço da própria gestão à frente da federação, prestes a completar dois anos, Cassiano Pereira apontou como uma das principais marcas da atual administração o esforço para aproximar a entidade dos industriais de todo o estado. Segundo ele, a FIEPB vem sendo conduzida com a proposta de ser uma instituição mais aberta, participativa e representativa, acolhendo empresários que antes não integravam a diretoria nem os sindicatos ligados ao sistema.

O dirigente também destacou a adoção de medidas voltadas à transparência institucional. Entre elas, citou a realização de prestações de contas anuais abertas à imprensa, iniciativa que classificou como inédita na história da federação.

“Pela primeira vez em 77 anos de história, a federação trouxe toda a imprensa para prestar contas com a transparência necessária”, afirmou.

Cassiano reforçou ainda o discurso de independência política da entidade, ao afirmar que a FIEPB atua de forma apartidária e tem como prioridade a defesa da indústria e da geração de emprego e renda no estado. “A federação não tem cor partidária. A nossa cor é a do industrial e de quem gera renda na Paraíba”, declarou.

Outro ponto abordado na entrevista foi a articulação institucional da FIEPB em Brasília e em outros espaços de representação nacional. Cassiano lembrou sua participação recente em uma sessão solene no Senado Federal em homenagem aos 80 anos do Serviço Social da Indústria (SESI) e afirmou que o diálogo com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário é parte da estratégia da entidade para fortalecer o setor produtivo paraibano.

No campo dos investimentos, o presidente anunciou a expansão da estrutura do Sistema Indústria no estado, com novos equipamentos nas áreas de educação e qualificação profissional. Entre os projetos em andamento, está a entrega, até o fim deste ano, de uma escola modelo do SESI em Bayeux. A federação também trabalha na implantação de novas unidades em Campina Grande e João Pessoa, além de uma estrutura voltada ao atendimento do setor sucroalcooleiro na região de Mamanguape.

Ao final da entrevista, Cassiano Pereira reforçou que o avanço da indústria paraibana depende da soma entre planejamento, investimentos públicos, eficiência logística e diálogo permanente com quem produz. Para ele, a audiência com o governador Lucas Ribeiro abriu um canal importante para enfrentar os problemas históricos do Distrito Industrial de João Pessoa, mas a expectativa do setor agora é que as promessas se transformem em ações concretas.

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