Fim da escala 6×1: Relator da PEC defende prudência, aponta riscos econômicos
23 de março de 2026
Redação

O deputado federal Paulo Azi (União-BA), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, defendeu prudência no debate sobre a redução da jornada de trabalho. Durante o evento “CNN Talks: O futuro da jornada de trabalho”, o parlamentar e o professor de economia do Insper, Sergio Firpo, destacaram que a discussão deve ser cautelosa para evitar prejuízos tanto aos trabalhadores quanto às empresas.
 

O relator enfatizou que o principal desafio do texto é encontrar uma solução que gere ganhos reais à classe trabalhadora sem provocar uma “desordem” na economia brasileira. Azi alertou para o perigo de a discussão ser contaminada por discursos populistas e demagógicos, especialmente em um ano eleitoral, em que promessas de ganho fácil podem se mostrar prejudiciais ao país a longo prazo.
 

Diante do cenário, o deputado estabeleceu três pilares fundamentais que nortearão o seu relatório na CCJ:

  1. Fortalecimento sindical: priorizar o papel dos sindicatos para que a mudança nas escalas seja definida por meio de acordos coletivos entre empregados e empregadores.
  2. Período de transição: estabelecer um prazo para que a alteração não seja imediata, permitindo a adaptação das empresas.
  3. Análise de impacto: discutir amplamente a repercussão da medida no funcionamento dos negócios, na geração de empregos e no aumento do custo de vida.

Azi ressaltou que, caso o governo decida avançar com a pauta, será imprescindível oferecer contrapartidas ao setor produtivo, a exemplo de isenções fiscais ou compensações via desoneração da folha de pagamentos. “Precisamos chamar atenção da sociedade e dos trabalhadores, para que isso seja algo construído coletivamente. Esse passo não pode ser maior que as próprias pernas”, afirmou o congressista.
 

Impactos no mercado de trabalho 

O professor Sergio Firpo, coordenador do Observatório da Qualidade do Gasto Público do Insper, corroborou a visão de que a mudança exige cautela e contrapartidas. Segundo o especialista, o fim da escala 6×1 pode impulsionar a rotatividade e a informalidade no país, taxa que já atingiu 38,1% ao final de 2025.
 

Firpo explicou que trabalhadores que recebem ligeiramente acima do salário mínimo correm o risco de ser substituídos por profissionais contratados pelo valor do piso, enquanto aqueles que já ganham o mínimo podem acabar empurrados para a informalidade. Além disso, o economista frisou que diversos setores terão dificuldade em absorver os novos custos operacionais e alertou que mais tempo de lazer para o trabalhador não garante, necessariamente, ganhos de produtividade para as empresas.
 

A edição do CNN Talks – O futuro da jornada de trabalho no Brasil teve a apresentação do jornalista Márcio Gomes e foi dividida em dois painéis principais, contando com os seguintes participantes:
 

Painel 1: “O impacto no setor produtivo”

  • Paulo Skaf: presidente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo).
  • Luiz França: presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).
  • Vander Giordano: conselheiro da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).

Painel 2: “Sustentabilidade Econômica e Modernização da Jornada”

  • Paulo Azi (União-BA): deputado federal e relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados para a PEC da Escala 6×1.
  • Sergio Firpo: professor de economia e coordenador do Observatório da Qualidade do Gasto Público do Insper.

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