Governadores do Brasil ganham mais que primeiro-ministro da Espanha e lideranças globais
23 de agosto de 2025
Redação

Enquanto países como Espanha, Japão e Reino Unido mantêm uma relação mais equilibrada entre o topo do setor público e a média da população, o Brasil figura entre os piores do mundo nesse quesito. De acordo com o novo Índice de Disparidade Salarial (IDS), lançado pela associação Livres, os governadores brasileiros recebem, em média, 20,2 vezes a renda domiciliar per capita da população que representam. Já no executivo nacional, o presidente do Brasil recebe cerca de 21,3 vezes a renda domiciliar brasileira — um número que coloca o país na 15ª posição entre 17 democracias analisadas, à frente apenas de África do Sul e México.
 

Na prática, isso significa que os governadores brasileiros têm remunerações dignas de chefes de estado. Todos os mandatários estaduais ganham mais que o chefe de governo da Espanha, mesmo sendo responsáveis por regiões com renda média significativamente menor. Segundo o estudo, o primeiro-ministro espanhol tem um IDS de 6,62, enquanto o índice de governadores no Brasil varia de 11,7 (DF) a 33,2 (Acre). No Maranhão, Estado com uma das menores rendas do país, o governador ganha quase 30 vezes mais que a média da população.
 

“Não se trata de discutir apenas valores nominais, mas o tamanho do abismo. O Brasil está entre os países onde a elite do setor público está mais desconectada da realidade da população”, afirma Magno Karl, diretor executivo do Livres.
 

Distorções globais
 

“As democracias mais consolidadas estabeleceram critérios de proporcionalidade e responsabilidade fiscal. Aqui, o que vemos é um modelo sem modulação federativa, que concentra benefícios no topo da pirâmide e gera efeitos em cascata por todo o sistema”,completa Karl.
 

O estudo argumenta que a desigualdade salarial extrema entre representantes e representados enfraquece a legitimidade das instituições públicas, amplia a percepção de injustiça social e compromete a formulação de políticas públicas conectadas com a realidade da população.
 

Propostas do Livres para enfrentar o problema

  • Criação de um teto federativo proporcional à renda local
  • Fim da indexação automática entre poderes e esferas
  • Criação de conselhos independentes para definição de remuneração
  • Adoção do IDS como indicador oficial de justiça institucional
     

“O objetivo não é demonizar o serviço público, mas resgatar sua função original: servir à população. Isso exige um debate responsável sobre privilégios e uma reforma institucional centrada na equidade”, finaliza Karl.
 

Sobre o Livres
O Livres é uma associação civil que promove soluções liberais para o Brasil, atuando em três eixos: curadoria de políticas públicas, qualificação de lideranças e participação no debate público.
 

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