Lontra albina completa um ano no Parque Arruda Câmara
10 de setembro de 2014
Redação

Há exatamente um ano chegava ao Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica) uma lontra (Lontra longicaudis) albina macho. Para comemorar a data, o animal raro estava em situação de risco e foi encaminhado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/PB) à Bica,
recebeu um bolo à base de carnes (mistura de frango e peixes).
 
Quando chegou ao Parque, com aproximadamente com dois meses de idade, na fase de amamentação, a lontra passou a ser alimentada com dieta adequada às necessidades da espécie e acompanhada pelos técnicos do Zoológico, porém, os maiores cuidados ficaram com o Setor de Neonatologia. Por se tratar de um filhote, os técnicos tiveram cuidado redobrado também com a higienização. Esse tipo de atenção é dada a todos os filhotes.
 
Hoje a lontra albina se alimenta sozinha, com uma dieta balanceada, pesada diariamente, na qual são oferecidos, tanto peixe vivo como abatido, carne bovina, fígado, coração e frango, além da suplementação com vitaminas. As presas vivas, no caso de peixes e esporadicamente, caranguejos, são utilizados para estimular o nado e para não perder o comportamento natural, que é a caça.
 
Albinismo- As lontras geralmente têm coloração marrom à parda, porém a que mora na Bica, por ser albina, que é a ausência de melanina no corpo, tem a pelagem bastante clara e olhos avermelhados. A ocorrência de albinismo em lontras é rara. Só se tem conhecimento do registro de um caso na Escócia.
 
A bióloga do Parque, Fabiana Zermiani, explica que a condição de albinismo dificulta a camuflagem na natureza e torna o animal vulnerável aos predadores, e que o fato dele ter chegado ainda filhote na Bica, fez com que precisasse de cuidados especiais dos técnicos. “Ele foi encontrado por um pescador, estava sozinho, perdido da mãe, e como ainda era filhote em fase de amamentação, não poderia ser deixado lá, pois se tornaria presa fácil ou alguém poderia capturá-lo. Então a Polícia Ambiental foi solicitada e o trouxe pra cá” explicou a bióloga.
 
Recinto

 O recinto onde vive o exemplar foi pensado, inicialmente, para um primata, por isso foram necessárias algumas alterações para ficar o mais próximo do que seria o habitat natural de uma lontra. Foram criadas elevações para correr e se exercitar, toca para se esconder e dormir. Além disso o tanque com água foi aumentado, ficando mais profundo. No tanque sempre são colocados troncos e brinquedos para ele não ficar ocioso. Por ser um animal que passa boa parte do tempo nadando, existe em andamento o projeto da construção de um recinto feito especialmente para ele, com uma área maior de água.
 
O animal é da espécie Lontra longicaudis (nome científico), uma das menos conhecidas no mundo, está ameaçado de extinção em alguns Estados como Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, principalmente pela redução da mata ciliar, degradação do seu habitat e a procura por sua pele.
 
Características

 As lontras nascem cegas e passam até sete semanas dentro do ninho, ficando, nesse período, dependentes dos pais. Alimentam-se basicamente de peixes, crustáceos e moluscos, seu peso varia de 9 a 15 quilos. Abrigam-se em tocas às margens dos rios e são considerados animais semiaquáticos, pois possuem membranas interdigitais e caudas achatadas, que são utilizadas como leme. De hábitos noturnos, ficam mais ativas ao entardecer. Os machos são maiores que as fêmeas, e sua reprodução ocorre geralmente na primavera.

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