O governador Lucas Ribeiro (Progressistas), reeleito com mais de 1.470.000 votos, o equivalente a 64,30% dos votos válidos, destacou que o presidente Lula, reeleito ontem em segundo turno, cresceu mais de 250.000 votos em relação ao primeiro turno e que ampliou a votação em todos os municípios paraibanos, com quase 50.000 votos adicionais em João Pessoa e 30.000 em Campina Grande. O governador associou o resultado à defesa do SUS, da democracia e da soberania nacional, tema que vinculou ao potencial mineral do estado, incluindo as reservas de terras raras.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, segundo ele, amplia o espaço de cooperação com o Palácio do Planalto. “Com absoluta certeza”, afirmou, ao citar obras que dependem de recursos federais, como o Hospital de Trauma do Sertão, em Patos, o Hospital da Mulher em Sousa, o Instituto Federal do Sertão, o novo ramal Piancó da Transposição do Rio São Francisco e duas policlínicas, uma na capital e outra em Campina Grande.
Lucas Ribeiro afirmou que as big techs interferiram na eleição deste ano e que os algoritmos das plataformas digitais foram programados para favorecer o candidato derrotado Jair Bolsonaro. A declaração foi feita em entrevista ao programa Correio Debate, a primeira concedida a uma TV após a reeleição. “Ficou claro que as big techs intervieram na nossa eleição, elas fizeram com que o algoritmo tivesse uma propensão a apoiar um determinado candidato”, disse o governador, citando o comportamento de assistentes de inteligência artificial ligados à Meta e ao WhatsApp. “Foi uma luta muito grande, mas o povo venceu.”
Questionado sobre as prioridades do primeiro ano, Ribeiro recusou hierarquizar as áreas e disse que as frentes vão caminhar em paralelo. Na segurança pública, o principal anúncio foi a retirada de presídios de áreas urbanas, começando pela unidade de Mangabeira, em João Pessoa, transferida para local considerado adequado como parte do reforço à administração penitenciária.
Na saúde, estão em construção três hospitais, além de ampliações e reformas em unidades de Cajazeiras, Itaporanga e no Hospital Arlinda Marques, na capital. O conjunto, segundo o governador, elevará em mais de 50% a capacidade de leitos do estado. Ribeiro informou que o custeio da rede dobrou nos últimos anos, de R$ 2 bilhões para R$ 4 bilhões, e que a expectativa é ampliar o valor novamente. Sobre os prazos, afirmou que o Hospital de Trauma do Sertão será concluído e entregue, que o Hospital da Mulher de Campina Grande fica pronto no segundo semestre do próximo ano e que o Hospital da Mulher do Sertão, em fase inicial, tem entrega prevista para o fim do próximo ano.
O governador adiantou que pretende viajar a Brasília após o feriado de novembro para tratar de agendas do estado e se encontrar com Lula, a quem quer convidar para acompanhar a chegada do primeiro computador quântico da América Latina, prevista para a segunda quinzena de novembro. O equipamento será instalado no prédio da Estação das Artes, ao lado da Estação Ciência, em João Pessoa, que passará por ampla reforma e adaptação. A estrutura integra o Centro Internacional de Computação Quântica, criado pelo governo estadual com apoio federal.
Sobre a relação com o ex-governador João Azevedo, com quem construiu a aliança que sustenta a gestão, Ribeiro disse que a condução será feita em conjunto, sem ruptura, e que espera contar com o apoio dele em Brasília para captar recursos e destravar projetos.
Lucas Ribeiro confirmou que o passe livre estudantil será ampliado para universitários a partir de janeiro e que o governo estuda a concessão de isenção de IPVA para motoristas de aplicativo, com anúncio previsto ainda para esta semana. As declarações foram feitas em entrevista ao programa Correio Debate, a primeira após a reeleição.
Segundo o governador, o benefício do transporte gratuito será estendido aos estudantes do ensino superior nos municípios que já operam o passe livre para alunos do ensino médio, com prioridade para João Pessoa, a região metropolitana e Campina Grande. “Nós vamos ampliar para os estudantes universitários, especialmente aqueles que precisam desse transporte para se locomover até a universidade. Já estamos planejando essa ação para executá-la no ano que vem”, afirmou. Ele disse que um estudo em andamento vai definir a alocação dos recursos e os critérios de acesso.
Sobre o IPVA zero para motoristas de aplicativo, promessa de campanha, Ribeiro foi direto ao anunciar prazo. “Essa semana teremos novidades”, disse.
O governador afirmou que as conversas sobre a mesa da Assembleia Legislativa e a composição do secretariado já começaram e serão conduzidas de forma conjunta com os deputados estaduais. Ele apontou que a sucessão na presidência da Casa, hoje ocupada por Adriano Galdino, será construída com a bancada. “Vamos ouvir os deputados. A gente vai poder construir juntos essa sucessão”, afirmou, acrescentando que pede uma Assembleia parceira para viabilizar as entregas do novo mandato.
Na gestão, Ribeiro informou que já houve ajustes, como a mudança na presidência da Cagepa após o fim do mandato de Marcos Vinícius, hoje respondida interinamente por um diretor até a definição do nome permanente.
Questionado se pediria aos secretários que colocassem os cargos à disposição para facilitar a reforma do primeiro escalão, o governador recusou. “Sinceramente, eu não vejo a necessidade de haver essa formalização por parte dos secretários, até porque é o governador que decide. Se ele precisar da permissão do secretário, é melhor ele não estar nem aqui”, disse. Ele reconheceu que o gesto seria uma cortesia, mas afirmou que não vai esperar por isso para promover as mudanças que considerar necessárias.
Sobre a parceria público-privada firmada pela Cagepa para universalizar o saneamento em 85 municípios, Ribeiro afirmou que a companhia acompanhará o cumprimento das obrigações contratuais e cobrará a evolução das obras. Segundo ele, a meta é levar esgotamento sanitário a quase 2 milhões de pessoas que hoje não têm o serviço.
O governador rebateu a crítica de que os municípios fora da PPP estariam desassistidos. “Campina Grande não está incluída na PPP, mas já está alcançando 90% de esgotamento sanitário porque tem uma rede robusta, e o estado continua investindo lá. A meta para 2033 é 90% em todo o estado”, afirmou. Ele explicou que a modelagem priorizou municípios com índice baixo de cobertura.
Ribeiro disse que a relação com os prefeitos de João Pessoa, Léo Bezerra, e de Campina Grande, Bruno Cunha, ambos adversários políticos, será de cooperação institucional. “Atrapalhar a gestão do prefeito de João Pessoa é atrapalhar também o cidadão pessoense. Da nossa parte não haverá nada nesse sentido”, afirmou. Ele citou um telefonema do prefeito da capital na semana anterior pedindo apoio em uma questão administrativa, atendido de imediato por meio do secretário da pasta.
O governador também confirmou a continuidade e a ampliação do Opera Paraíba em 2027. Segundo ele, a Secretaria de Saúde faz um levantamento das filas e dos procedimentos prioritários para orientar a lista de cirurgias do próximo ano. “É um programa de muito sucesso, que trouxe qualidade de vida para as pessoas. Muitas tiveram a vida devolvida”, disse, ao relatar o depoimento de pacientes que voltaram a dormir e a trabalhar após cirurgia bariátrica.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.