Morre, aos 83 anos, o engenheiro Manelito Vilar

Morreu nesta terça-feira (28), Manoel Dantas Vilar Filho, conhecido como Manelito, que era primo de Ariano Suassuna e responsável pela Fazenda Carnaúba, em Taperoá. Ele morreu aos 83 anos, em Campina Grande, devido a complicações de uma cirurgia de vesícula.

O velório foi realizado na sua Fazenda Carnaúba, e o sepultamento deve ocorrer às 9h desta quarta-feira, no cemitério de Taperoá.

Manelito Dantas Vilar era engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Pernambuco, especializado em Saneamento. Foi engenheiro da empresa de saneamento de Pernambuco, da Sanesa, (Saneamento de Campina Grande), criada em 1955 e fundador da Cagepa. Era professor aposentado da área de Hidrologia da Universidade Federal da Paraíba. Mas após a morte do pai, abandonou a vida profissional/urbana para dedicar-se totalmente às fazendas da família. Manelito era um valor impar na pecuária e caprinocultura nordestina.

A Fazenda Carnaúba é referência nacional em genética de caprinos, ovinos e bovinos. É também, um exemplo de um sistema único de produção viável para 90% do semiárido brasileiro, utilizando-se da preservação de aspectos sociais e culturais.

Manelito tinha uma inteligência rara, era conhecido por ter o melhor banco de dados sobre o Semiárido brasileiro e o regime de chuvas na região. Desde 1912, ainda no século passado, o que aconteceu no Nordeste do Brasil, em se tratando de chuvas, está registrado nos arquivos dele na Fazenda Carnaúba. 

Curiosidade: com anotações diárias sobre índices pluviométricos do Sertão, registradas desde 1910, Manelito constatou que a média de chuva anual do Sertão é idêntica à de Paris. Mas com a diferença que, na cidade européia, as águas se espalham por 183 dias; em Taperoá, são, em média, apenas 24 dias por ano com chuvas acima dos 10 milímetros. 

O produtor Manelito administrava com seus cinco filhos a fazenda, que está na posse sucessiva da família, desde o século 18. 

Hoje, a Fazenda Carnaúba conta com um rebanho de mais de 3.000 animais e já recebeu prêmios internacionais por seus queijos, leites e pastas, produzidos no local.

Manelito, que era viúvo, deixa cinco filhos e dez netos.