Fundado em 8 de novembro de 1986, o Movimento Negro de Campina Grande (MNCG) completa quatro décadas de existência reafirmando seu compromisso com a transformação social através da educação. Este mês, a entidade promove um ciclo de palestras e debates em escolas da rede estadual, transformando a sala de aula no principal campo de batalha pela igualdade racial e pela inclusão da população afrodescendente.
O mito da abolição e a realidade da violência

Para o MNCG, o dia 13 de maio — data da assinatura da Lei Áurea — está longe de ser motivo de festa. A organização classifica o período como uma “falsa abolição”, destacando que o fim formal da escravidão não foi acompanhado de políticas de reparação. O resultado é uma cidadania de “segunda categoria”, refletida em indicadores alarmantes.
“A morte no Brasil tem cor, sexo, idade e território”, aponta o movimento, citando estatísticas cruéis: a cada 23 minutos, um jovem negro entre 15 e 29 anos é assassinado no país. Além disso, 63,3% das vítimas de feminicídio são mulheres negras empobrecidas, residentes de favelas e periferias.
Programação nas Escolas
Para enfrentar o apagamento histórico e o “epistemicídio” (a destruição de saberes de matriz africana), o MNCG preparou uma agenda intensa para o mês de maio:
Dia da África: Ciência e Resistência
As celebrações se estendem até o Dia da África (25 de maio), com foco na produção de conhecimento do continente africano:
Com essa agenda, o Movimento Negro de Campina Grande espera não apenas relembrar o passado, mas convocar a sociedade para um debate urgente sobre o direito à vida e o exercício da cidadania plena para a população afro-brasileira.
Jornalista, radialista e advogado, formado na UFPB, Hermes de Luna tem passagens nos principais veículos de comunicação da Paraíba. É MBA em Marketing Estratégico e em mídias digitais. Apresentador e editor de TV e rádio, também atuou na editoria de portais e sites do estado. Ganhador de vários prêmios de jornalismo, na Paraíba e no Brasil.