Movimento Negro de Campina Grande celebra 40 anos com ofensiva educativa contra racismo
27 de abril de 2026
Redação

 Fundado em 8 de novembro de 1986, o Movimento Negro de Campina Grande (MNCG) completa quatro décadas de existência reafirmando seu compromisso com a transformação social através da educação. Este mês, a entidade promove um ciclo de palestras e debates em escolas da rede estadual, transformando a sala de aula no principal campo de batalha pela igualdade racial e pela inclusão da população afrodescendente.

O mito da abolição e a realidade da violência

Para o MNCG, o dia 13 de maio — data da assinatura da Lei Áurea — está longe de ser motivo de festa. A organização classifica o período como uma “falsa abolição”, destacando que o fim formal da escravidão não foi acompanhado de políticas de reparação. O resultado é uma cidadania de “segunda categoria”, refletida em indicadores alarmantes.

“A morte no Brasil tem cor, sexo, idade e território”, aponta o movimento, citando estatísticas cruéis: a cada 23 minutos, um jovem negro entre 15 e 29 anos é assassinado no país. Além disso, 63,3% das vítimas de feminicídio são mulheres negras empobrecidas, residentes de favelas e periferias.

Programação nas Escolas

Para enfrentar o apagamento histórico e o “epistemicídio” (a destruição de saberes de matriz africana), o MNCG preparou uma agenda intensa para o mês de maio:

  • 13 de Maio (Manhã): Na EEEFM Alceu do Amoroso Lima (Bairro das Malvinas), às 9h30, o sociólogo e militante Joseilton Brito discute o racismo estrutural. No mesmo evento, o historiador Jair Silva Ferreira aborda as contribuições intelectuais e científicas dos africanos para a humanidade.
  • 13 de Maio (Tarde): Na Escola Cidadã Integral Maria José de Souza, em Montadas, o doutorando em filosofia africana (UFS), Nazito Pereira da Costa Júnior, ministra palestra sobre ciência, tecnologia e filosofia na História da África.

Dia da África: Ciência e Resistência

As celebrações se estendem até o Dia da África (25 de maio), com foco na produção de conhecimento do continente africano:

  • 19 de maio: Palestras no Teatro Municipal Otávio Lima Leite, em Alagoa Nova, para alunos da EEEFM Professor Cardoso.
  • 25 de maio: Atividades em Areia, nas escolas EEEFM Carlota Barreiras e ECI Ministro José Américo de Almeida.
  • 28 de maio: Ações na ECI Severino Barbosa Camelo, em Boqueirão.
  • Campina Grande: Debates sobre tecnologias africanas nas escolas EEEF Dom Elder Câmara e Walnyza Borborema Cunha Lima, nos turnos manhã e tarde.

Com essa agenda, o Movimento Negro de Campina Grande espera não apenas relembrar o passado, mas convocar a sociedade para um debate urgente sobre o direito à vida e o exercício da cidadania plena para a população afro-brasileira.

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