MPF na Paraíba promove “Conversa Cidadã”





Estão abertas as inscrições para a “Conversa Cidadã – O MPF e a Constituição Federal”, promovida pelo Ministério Público Federal na Paraíba. O evento, alusivo aos 30 anos da Constituição de 1988, ocorrerá no próximo dia 25 de maio, a partir das 9 horas, no auditório do órgão em João Pessoa. O público-alvo é estudantes universitários e as vagas são limitadas a 90 inscrições.

A conversa girará em torno do documentário “Pedro Jorge – Uma vida pela Justiça”, que aborda a trajetória do procurador da República assassinado em razão da função. Após a exibição do vídeo, haverá palestras e debates com a participação do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, e o advogado Gilberto Marques – personagem do documentário, assistente de acusação no processo que condenou os assassinos de Pedro Jorge.

Inscrições - As inscrições podem ser feitas pelo link disponível no site www.mpf.mp.br/pb. Será emitido certificado de três horas extracurriculares aos estudantes inscritos.

O documentário - Entre os anos de 1979 e 1980, políticos, militares ligados às práticas de tortura e outras pessoas influentes do município de Floresta, no Sertão de Pernambuco, começaram a se beneficiar de um esquema milionário de desvio de dinheiro público que ficou conhecido como o Escândalo da Mandioca. Eles se passavam por produtores rurais e conseguiam financiamento do Banco do Brasil para o plantio, mas nada cultivavam e ainda embolsavam o dinheiro do seguro por perda da safra.

Coube ao procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva denunciar os envolvidos. Mas o que deveria ser mais uma atuação profissional acabou em tragédia. Após receber várias ameaças, Pedro Jorge foi assassinado, a mando de um dos militares denunciados na fraude, quando saía de uma padaria com o pão e o leite do jantar.

O documentário é um relato da trajetória pessoal e profissional de Pedro Jorge, que morreu aos 35 anos de idade, deixando esposa e duas filhas. Familiares, amigos e colegas de profissão que conviveram com ele ou que tiveram papel decisivo para que os assassinos fossem condenados recontam essa história, enfatizando as lições que o exemplo de Pedro Jorge deixou para o Ministério Público e para a sociedade.

Tragédia de todo o MP – Para o procurador-chefe do MPF na Paraíba, Marcos Queiroga, a tragédia pessoal de Pedro Jorge representou a tragédia, na época, de todo o Ministério Público, que ainda não tinha as garantias e a independência que ostenta hoje.

“Esse episódio foi extremamente impactante nos debates constituintes que resultaram na nova conformação do Ministério Público na Constituição de 1988. Fatos como esses não só não devem ser esquecidos, mas precisam sempre ser lembrados. Afinal, ‘um povo sem memória, é um povo sem história’, como disse a historiadora Helena Pignatari”, declarou.

“É preciso compreender o papel daqueles que já estiveram aqui e saber que muitos dos avanços de hoje vieram a partir do sangue e da luta de grandes guerreiros de ontem”, acrescentou o procurador-chefe.