Na PB, mais de 16,7 mil vivem em quilombolas
10 de maio de 2025
Redação

Das 16.765 pessoas quilombolas residentes na Paraíba, em 2022, 6.701 (40%) moravam em situação urbana, taxa essa que ficou acima das observadas nos cenários nacional (38,3%) e regional (35%), sendo a 2ª maior do Nordeste, atrás apenas da observada na Bahia (48%).Entretanto, no mesmo ano, a ampla maioria da população quilombola paraibana residia em situação rural (60%), correspondendo a 10.064 pessoas, realidade que é bem diversa daquela da população total da Paraíba, cuja parcela rural era de apenas 20,4%. Já nos Territórios Quilombolas oficialmente delimitados no estado, 55,6% dos moradoresquilombolas vivam em situação rural e 44,4% em situação urbana.  

As informações são da publicação “Censo Demográfico 2022: Quilombolas: Principais características das pessoas e dos domicílios, por situação urbana ou rural do domicílio: Resultados do Universo”, divulgada nesta sexta-feira (09), pelo IBGE. Com essa publicação, o IBGE aprofunda o retrato oficial da população quilombola, consolidando estatísticas demográficas e sociais desse contingente populacional, por meio de sua desagregação segundo os contextos urbano e rural dos domicílios. 

Dos 53 municípios paraibanos com população quilombola, Guarabira é o único em que 100% desse grupo populacional residia em situação urbana, enquanto em outros 29 municípios 100% da população quilombola vivia em áreas rurais. Dos cinco municípios do estado com as maiores populações quilombolas, Conde (3.008 quilombolas) era o que apresentava a maior proporção de quilombolas residindo em situação rural (83,7%), seguido por Cacimbas (1.698 quilombolas), com 79,1%, e Alagoa Grande (946 quilombolas), com 50,1%. Já a população quilombola de João Pessoa, que era a 2ª maior do estado (2.260 quilombolas), encontrava-se quase totalmente urbanizada (99,9%), enquanto em Santa Luzia, que ocupava a quarta posição nesse ranking(1.325 quilombolas), 95,8% desse grupo populacional residia na zona urbana do município. 

Predominância das mulheres na população quilombola paraibana é maior em situação urbana 

A desagregação da população quilombola paraibana por sexo e situação do domicílio mostra que, em 2022, a predominância feminina observada no conjunto dessa população, onde 50,9% eram mulheres e 49,1% eram homens, era mais acentuada em situação urbana (52% de mulheres e 48% de homens) do que em situação rural (50,2% de mulheres e 49,8% de homens). Essa realidade difere um pouco da observada no cenário nacional, bem como no regional. No Brasil, as mulheres, que constituem metade do conjunto da população quilombola (50%), são minoria em situação rural (48,8%) e majoritárias em situação urbana (51,9%). Já na região Nordeste, elas são maioria na população quilombola total (50,2%) e em situação urbana (52,1%), mas minoritárias nas áreas rurais (49,1%). 

Essa variação na estrutura de sexo da população quilombola, em função das diferentes situações geográficas, pode ser igualmente evidenciada pela desagregação por situação do domicílio de um indicador de razão de sexo, que sinaliza a proporção de homens em relação às mulheres em um grupo populacional. Quando é superior a 100, a razão de sexo indica que no grupo os homens são maioria; quando é inferior a 100, aponta que há mais mulheres que homens no grupo. 

Na Paraíba, constatou-se que a razão de sexo da população quilombola, em 2022, era de 96,5, o que indica que para cada grupo de 100 mulheres foram identificados 96,5 homens. Desagregando o indicador por situação do domicílio, verifica-se que nas situações urbana e rural a razão de sexo era de 92,4 e 99,3, respectivamente, confirmando a constatação anterior de que o predomínio de mulheres quilombolas era mais acentuado nas zonas urbanas do que nas áreas rurais. 

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